Às voltas com uma crise da dívida soberana que na Europa continua a gerar incertezas e quando nos EUA se luta ainda para sair da crise financeira, personalidades do mundo empresarial, académico e político pensam na economia mundial a dez anos, e os principais riscos que antevêem são os desequilíbrios orçamentais crónicos e as desigualdades na distribuição de rendimentos. Mas a grande preocupação está ainda naquilo que seriam os efeitos de uma grave falência financeira.
A conclusão consta de um relatório do Fórum Económico Mundial (FEM), que, a duas semanas do tradicional encontro anual do fórum em Davos, na Suíça, deu nesta terça-feira a conhecer os grandes receios económicos, ambientais, geopolíticos, sociais e tecnológicos de mais de mil especialistas.
De uma lista de 50 riscos globais, empresários, responsáveis políticos e académicos foram inquiridos sobre a probabilidade de determinado risco se materializar ao longo de dez anos e sobre aqueles que teriam maior impacto na economia.
Cinco anos depois do início da crise financeira, as questões socioeconómicas continuam no topo das preocupações, com a atenção centrada no stress do sistema económico global. Na verdade, de 2008 para cá, os receios elencados mudaram (em 2009, por exemplo, temia-se o risco de colapso financeiro e, em 2011, o medo de uma catástrofe meteorológica), mas a categoria que mais vezes surge em primeiro lugar é a mesma: economia e finanças. E pouco mudou se olharmos para os “medos” de há um ano.
As duas grandes preocupações económicas de 2013 são exactamente as mesmas que apareciam no estudo do ano passado: graves disparidades na distribuição de rendimento e desequilíbrios orçamentais crónicos. “A situação económica global permanece frágil”, nas economias desenvolvidas o crescimento é fraco e as fragilidades orçamentais de alguns países estão por resolver.
Os riscos não desapareceram, a crise das dívidas soberanas na zona euro é ainda um foco de instabilidade. E há perguntas que continuam sem resposta, como esta que se enuncia no estudo: vão as chamadas reformas estruturais criar emprego a longo prazo?
A dúvida leva, aliás, a um apelo que a directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, foi no ano passado deixar a Davos, perante uma passerelle da finança e do mundo empresarial: a necessidade de os planos de correcção orçamental serem ajustados a cada país para não estrangularem a economia. A questão continua na ordem do dia em plena crise do euro.
As disparidades na distribuição de rendimento foram apontadas como o risco mais provável de se manifestar até 2023 (horizonte indicativo). Mas aquele que teria mais impacto tem a ver com os riscos sistémicos de uma falência financeira. Os inquiridos temem, ao mesmo tempo, que as disparidades orçamentais continuem a ser crónicas, o que significaria um falhanço da resposta ao “excessivo” endividamento, apontam.
No mercado de trabalho, alertam para “disparidades crónicas” e alertam para o risco de o aumento de o desemprego não ser apenas uma questão conjuntural, mas estrutural. Outras preocupações económicas têm a ver com a volatilidade dos preços das energias e um abrandamento económico dos emergentes.
Noutro campo, os inquiridos olham com atenção para as questões ambientais e o envelhecimento da população.

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