A Índia registou um crescimento de 5% em 2012-13, o pior resultado numa década num país que pretende duplicar a sua produção de riqueza para conseguir lutar contra a pobreza, segundo dados oficiais publicados nesta sexta-feira.
A falta de confiança dos investidores, a alta inflação e a redução na procura por parte dos países ocidentais explicam a desaceleração da terceira maior economia da Ásia, habituado há anos a taxas de crescimento perto dos 9%.Este resultado, amplamente antecipado pelos analistas, surge um ano antes das eleições gerais que se antevêem difíceis para o Partido do Congresso (centro-esquerda), reeleito em 2009, com o lema "crescimento para todos."
Apesar dos esforços do governo para abrir ainda mais a economia a investidores estrangeiros através de um "big bang" de reformas, anunciadas no Outono, a maioria dos analistas acredita que o retorno da "Índia que brilha" ("Shining Índia ") ainda não é para já.
"O ritmo de crescimento permanece fraco e a recuperação adiada", resumiu à AFP Siddhartha Sanyal, economista-chefe do Barclays Capital.
"Não temos nada que antecipe uma forte recuperação", acrescentou, numa conferência de imprensa, o presidente-adjunto da influente Comissão de Planeamento, Montek Singh Ahluwalia.
Pressionado pela comunidade empresarial, o Reserve Bank of India (RBI), reduziu, em Maio, a sua principal taxa de juros, na que foi a terceira queda este ano, antecipando ter "pouco espaço" para mais flexibilização.
O RBI continua a manter um olho sobre a inflação, que diminuiu em Abril, baixando dos 5% pela primeira vez desde 2009.
O índice de preços do mercado grossista confirma a tendência seguida pelo índice de preços ao consumidor que, apesar de o, também caiu em Abril para 9,39%, isto é, abaixo da barreira psicológica dos 10%.
Embora as entidades oficiais tenham previsto, em Fevereiro, um crescimento anual de 5,7% a 5,9%, o ministro das Finanças, P. Chidambaram assegurou que os números divulgados sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística estavam em linha com as expectativas.
Em 2011-12, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,2%, já mostrando sinais de desaceleração económica face ao ano anterior que registou uma taxa de 9,3%.
"O governo precisa de disparar em todos os sentidos para mudar a percepção dos investidores", disse, por seu lado, Shubhada Rao, economista-chefe do Yes Bank.
Em relação à enxurrada de reformas anunciada no ano passado pelo primeiro-ministro Manmohan Singh, algumas estão ainda bloqueadas por um parlamento hostil, incluindo a liberalização do seguro e da poupança-reforma e uma lei simplificando a aquisição de terras.
Num novo revés para o Governo, a agência de notação financeira Standard and Poor’s anunciou este mês que a Índia tem "uma hipótese em três" de ver o rating da sua dívida soberana cair para um "grau especulativo".
Note-se que a Índia é "BBB-", é o mais baixo dos países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) e sua redução para o status de lixo iria aumentar o custo dos empréstimos a este país e o investimento seria considerado arriscado.
A agência de rating também observou que poderá reduzir o rating da Índia se considerar que a economia do país não vai recuperar o seu crescimento do início da década, que era entre 7% e 8%.
A OCDE, por sua vez, reduziu esta semana a sua previsão de crescimento para 2013-14 para 5,3% contra os 5,9% previstos anteriormente.
Mais optimista, o Ministério das Finanças aponta para um crescimento entre os 6,1% e os 6,7%.
Embora estes números possam parecer elevados para os países ocidentais com crescimentos anémicos, o governo indiano acredita que a luta contra a pobreza só será eficaz depois de atingir o limite de 10% de crescimento.
No Bombay Stock Exchange, o principal índice perdeu cerca de 2% no final do dia.

Comentar