Construção é o sector mais afectado por dívidas incobráveis

Em Portugal, o valor das facturas que fica por pagar nesta área representa hoje 4,7% de todo o dinheiro transaccionado.

Na Europa, a construção não é o sector mais penalizado, mas sim o dos serviços Manuel Roberto

Dados divulgados nesta terça-feira pela Intrum Justitia, grupo internacional que presta serviços de gestão e recuperação de crédito, mostram que é na construção que o problema dos incobráveis assume maior gravidade no país, tendo a percentagem de dívidas por pagar subido de 3,9 para 4,7% entre 2010 e 2012.

Em segundo lugar, surge a indústria, em que os incobráveis valem actualmente 3,9% de todas as transacções feitas pelas empresas do sector (o que significa um aumento de 11 pontos percentuais face a 2010). A terceira posição é ocupada pelo comércio, com os retalhistas e os grossistas a perderem 2,9% do volume que geram por falta de pagamento de dívidas, o que significa uma subida ténue face aos 2,8% de há dois anos.

A comparação com a realidade europeia revela que Portugal não está sintonizado com os restantes países, visto que é na área dos serviços profissionais que registam maiores índices de incobráveis (4,2%). A construção, por exemplo, fica-se por 3,7% das transacções, tendo até reduzido a fasquia face aos 3,8% de 2008.

Tal como consta de um estudo que a Intrum Justitia tinha apresentado em Maio, Portugal é o 14.º país da Europa (a 25) com maior volume de incobráveis: este ano, estima-se que ronde os seis mil milhões de euros (ou seja, 3,6% do PIB).

O país que regista uma acumulação maior de dívidas por liquidar é a Bulgária. Apesar de, em valor, o nível ser mais reduzido do que em Portugal, cifrando-se em 2,3 mil milhões de euros, o peso no PIB é mais expressivo (6,5%). No extremo oposto está a Suíça, com uma percentagem de 2,1% e uma estimativa de 7,3 mil milhões de incobráveis este ano.
 
 

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