Conselho das Finanças Públicas: falta de estratégia para redução do défice dificulta consenso

Entidade liderada por Teodora Cardoso concorda com Governo de que não se deve abrandar redução do défice, mas quer que seja explicado como.

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) concorda com os objectivos definidos pelo Governo para a redução dos desequilíbrios orçamentais, mas alerta para a falta de uma estratégia concreta para os atingir, o que, afirma, pode dificultar a obtenção de um consenso.

No relatório de avaliação ao Documento de Estratégia Orçamental (DEO) apresentado em Abril pelo Governo, a entidade liderada por Teodora Cardoso começa por dizer que concorda com o Governo quando este diz que a sustentabilidade da dívida pública “exige um esforço significativo e duradouro”, que “qualquer tentativa de o adiar tem como consequência intensificar o esforço necessário” e que são necessários “excedentes primários significativos durante um longo período”.  

No entanto, logo a seguir, o CFP alerta que o DEO fica “aquém de explicitar a estratégia orçamental a seguir com vista a produzir esses excedentes”. “Um exercício de sustentabilidade não é, por si só, uma estratégia e o DEO pouco adianta quanto à evolução projectada para as despesas e receitas públicas ao longo do tempo. Esta omissão torna difícil avaliar as consequências de longo prazo das políticas governamentais, o que prejudica a criação de um consenso em seu redor”, afirma o Conselho, acrescentando ainda que “a inexistência de especificação das medidas de consolidação destinadas a sustentar a trajectória de redução da despesa prejudica a transparência, a exequibilidade e a credibilidade das projecções orçamentais”.

De facto, o CFP queixa-se de que o DEO “não integra uma análise dos efeitos esperados de importantes medidas de política económica que o Governo prevê para o período coberto pelo documento” e que “as projecções macro-orçamentais apresentadas no DEO estão insuficientemente documentadas para serem úteis como substituto credível da análise das políticas”.
 
 

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