Comparação entre o Banif e o BPN não tem “qualquer sentido”, diz Luís Amado

Ex-ministro e actual presidente do conselho de administração do Banif garante que o processo de recapitalização do banco é transparente.

O processo em curso no Banif, diz Amado, está “no contexto da recapitalização” Daniel Rocha

O presidente do conselho de administração do Banif, Luís Amado, disse nesta terça-feira a comparação entre o processo de recapitalização em curso e a nacionalização do BPN não tem “qualquer sentido”.

Em declarações aos jornalistas, à margem de uma conferência em Lisboa, o ex-ministro socialista frisou que “o processo de recapitalização do Banif é um processo transparente, que tem vindo a ser negociado ao longo dos últimos meses, não apenas com o Governo português, mas com o Fundo Monetário [Internacional], o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia”.

O Ministério das Finanças anunciou, a 31 de Dezembro, a injecção de 1100 milhões de euros no Banif, com vista a recapitalizar o banco, 700 milhões dos quais através da subscrição de acções especiais e 400 milhões em instrumentos de capital híbridos.

“Se tem algum paralelo que deva ser estabelecido é justamente com o caso dos bancos portugueses que já foram recapitalizados também por acesso ao programa de financiamento para recapitalização dos bancos portugueses previsto no programa de ajustamento para a economia portuguesa”, contrapôs, recordando que está prevista “uma dotação de doze mil milhões ainda longe de ser esgotada”.

O Banif é a quarta instituição financeira a ser recapitalizada com recurso a fundos públicos em Portugal, depois de BCP e BPI – que, tal como acontecerá com o Banif, recorreram à linha disponibilizada pela troika para o sector financeiro – e da Caixa Geral de Depósitos (neste caso, através do accionista Estado).

O processo em curso no Banif, sublinhou Luís Amado, está “no contexto da recapitalização” de “70 a 80 bancos” da Europa, com recurso a fundos públicos.

A operação será concretizada depois da assembleia-geral do Banif, marcada para 16 de Janeiro, ficando então o Estado com 99,2% do total de acções e 98,7% do total de direitos de voto da instituição.

De acordo com o plano de recapitalização do banco, acordado com as autoridades públicas, a administração compromete-se a levar a cabo, até final de Junho, um aumento de capital direccionado a accionistas privados em que o objectivo é atingir pelo menos 450 milhões de euros.

Se essa meta for cumprida, o Estado passa a ficar com 60,6% da instituição e 49,4% em direitos de voto, devolvendo então o controlo do Banif a mãos privadas.

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