Depois de dois tombos, a recuperação. As perspectivas para a evolução da Bolsa de Lisboa em 2012 eram cautelosas, mas não foi com surpresa que analistas e operadores de mercado acompanharam a recuperação do principal índice português, em particular na recta final do ano.
O PSI-20 viveu um 2012 animado. Não só à boleia do desempenho positivo das praças europeias, mas também pelas alterações que sofreu na sua composição ao longo do ano. Só nesta segunda-feira à tarde, quando fechar a bolsa, será possível fazer as contas anuais do PSI-20, mas o ganho que o índice acumulou até à última sexta-feira (3,01%) materializa uma recuperação expressiva depois de dois anos a perder valor e que só foi possível com uma forte subida na segunda parte de 2012. E os prognósticos para 2013 são positivos, embora igualmente cautelosos.
No ano em que completou 20 anos, o valor de mercado das empresas do índice aumentou em 298,5 milhões de euros (valor até sexta-feira). A capitalização bolsista cresceu apenas 0,65%, para 46,2 mil milhões de euros.
A banca fecha o ano com um balanço misto, e o mesmo se passa no sector energético e nas telecomunicações.
Impressionante é a valorização que o BPI consegue: um crescimento das acções de 103,93%, o maior do índice. A forma bem sucedida como realizou o último aumento de capital, que envolveu um parte de fundos públicos, que o banco já começou a pagar, mas também o reforço de posições dos maiores accionistas, e o regresso aos lucros, explicam a subida do título.
Pelo contrário, o BCP cai 44,85% e é a empresa com a maior desvalorização (até sexta-feira). Neste caso, o elevado montante de financiamento a devolver ao Estado, no âmbito do reforço de capitais, e os elevados prejuízos, ajudam a explicar a queda das acções.
Dois marcos importantes este ano foram as ofertas públicas de aquisição (OPA) lançadas sobre a Brisa e a Cimpor no final de Março e que culminaram na saída destas duas cotadas do índice (Junho e Agosto, respectivamente). O PSI-20 ficou temporariamente reduzido a 18 empresas, voltando em Setembro a ter as habituais 20 empresas. Cimpor e Brisa eram dois títulos com visibilidade, mas “as acções que as vieram substituir [Banif e Cofina] não têm o mesmo peso”, enquadra o operador de mercado da GoBulling Pedro Oliveira.
Outro acontecimento relevante, já antecipado pelo mercado, foi o anúncio deprojecto de fusão entre a Zon e a Optimus. Em bolsa, a Sonaecom, dona desta operadora (e proprietária do PÚBLICO) e a Zon terminam com valorizações acima dos 20%.
O ano de 2013 deverá continuar a ser de recuperação na bolsa portuguesa, mas tudo dependerá uma vez mais das perspectivas económicas nos Estados Unidos e na Europa, do andamento da confiança dos investidores, da evolução dos mercados financeiros e da acção europeia de combate à crise. E, estando expostos ao contexto europeu, há que contar que os investidores estarão especialmente atentos a um 2013 com eleições gerais na Alemanha, em que Angela Merkel tenta a reeleição para um terceiro mandato, à evolução da situação na Grécia, em Portugal e aos casos espanhol e italiano.
António Seladas, director do departamento do research do BCP, acredita que, pela primeira vez nos últimos anos, o PSI-20 ultrapassará “em termos de desempenho os principais índices europeus”. Isto com estimativas para 2013 nos principais mercados acionistas a oscilarem entre os 5% e os 10%. Para o presidente da Euronext Lisboa, Luís Laginha de Sousa, as perspectivas são altas. “A parte final de 2012 dá-nos sinais de algum optimismo sustentado para 2013”.

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