O Governo chinês ameaçou tomar medidas para se proteger da investigação que a Comissão Europeia se prepara para iniciar a dois dos fabricantes de telemóveis do país: Huawei e ZTE. Um porta-voz do Ministério do Comércio da China disse nesta quinta-feira que “se a Europa insistir em abrir uma investigação, as consequências terão de ser suportadas pela parte que está a provocar a fricção”, noticiou a Reuters.
Esta ameaça surge depois de o comissário europeu para o Comércio ter anunciado, na quarta-feira, que Bruxelas tinha decidido abrir um processo contra a China, relacionado com alegadas práticas de dumping [vendas abaixo do preço de custo] e de auxílios estatais às duas operadoras. No entanto, Karel De Gucht afirmou que a Comissão Europeia iria tentar alcançar um acordo com as autoridades chinesas.
A Reuters refere que o alvo da investigação é a segunda maior fabricante de telemóveis a nível mundial, a chinesa Huawei, e também a ZTE, uma empresa de menor dimensão. A avançar, este processo será o maior alguma vez lançado pela União Europeia (UE) e o primeiro a ocorrer sem que tenha havido uma queixa por parte de companhias europeias.
Fabricantes como a Nokia e a Ericsson têm sido muito penalizadas pela entrada de produtos mais baratos vindos da China, mas nunca formalizaram nenhuma reclamação com receio de represálias por parte daquele país. No entanto, Bruxelas terá já conseguido reunir provas da existência de subsídios às duas operadoras chinesas, apesar de estas já o terem negado. A Huawei rejeitou ainda que estejam a vender produtos abaixo do custo.
À Reuters, o porta-voz do Ministério do Comércio chinês referiu que as negociações com a Europa se mantêm, acrescentando que a China fez uma proposta sobre o caso numa recente visita de uma delegação da UE ao país, não tendo recebido resposta. “É algo que gera dúvidas em relação à vontade da UE de resolver o conflito através do diálogo”, referiu.

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