A Caixa Geral de Depósitos (CGD) emitiu esta terça-feira 500 milhões de euros de dívida sénior com um prazo de três anos e uma taxa de 5,75%, tendo a procura ultrapassado em 5,74 vezes a oferta disponível.
“A emissão atraiu uma forte procura”, salientou o administrador financeiro do banco público, João Nuno Palma, numa nota à comunicação social, dando conta que dos 2,87 mil milhões de euros de ordens de mais de 200 investidores, 2000 milhões de euros foram oriundas de investidores internacionais.
Segundo o responsável, isto “reflecte o crescente conforto dos mercados internacionais com o risco ‘Portugal’”, marcando “o regresso aos mercados de uma entidade detida pela República Portuguesa após dois anos e dez meses de ausência”.
A emissão da CGD ofereceu um cupão (juro nominal) de 5,625% e uma taxa (rendimento ao investidor) de 5,75%, que são mais baixos do que os oferecidos recentemente pelo BES na sua emissão de 750 milhões de euros, cujo cupão foi de 5,875% e a taxa de 6% ao ano.
“O cupão de 5,625% constitui o cupão mais baixo de uma emissão obrigacionista de uma entidade portuguesa no passado recente e reflecte o estatuto da CGD como national champion [campeão nacional] do sistema financeiro português”, realçou João Nuno Palma.
Em termos geográficos, 88% das ordens de compra vieram do estrangeiro, facto destacado pelo banqueiro: “Este interesse dos investidores institucionais estrangeiros representa um passo em frente para a CGD e os emitentes portugueses”, sublinhou.
O Reino Unido captou a fatia de leão da emissão (34%), seguido pela França (12,4%), por Portugal (12%), pela Itália (10,1%), pela Alemanha e Áustria (7,4%), pela Suíça (6,4%), pela Espanha (5%), pelos países do Benelux – Bélgica, Holanda e Luxemburgo – (2,5%) e pelo Médio Oriente (1,9%), ficando 8,4% dispersos por outros países.
As gestoras de activos absorveram 65,7% da emissão (328,5 milhões de euros), os bancos 22,8% (113,8 milhões de euros), as seguradoras 4,6% (23 milhões de euros) e outros investidores ficaram com 6,9% dos títulos (34,7 milhões de euros).
“Este é um passo fundamental para a CGD, que demonstra ter acesso aos mercados e reforça a nossa estratégia de desalavancagem e a postura conservadora face aos desafios actuais, enquanto apoiamos a economia portuguesa”, considerou João Nuno Palma.
O responsável acrescentou que as posições de liquidez e de capital do banco público “são muito sólidas” e que a CGD “continua confiante no futuro e feliz por sentir o apoio dos mercados institucionais”.
Por último, o banqueiro sublinhou que a entidade “está empenhada em apoiar o crescimento da economia portuguesa, com o foco particular no sector dos bens transaccionáveis”.

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