CCP considera reprogramação positiva desde que beneficie sector dos serviços

João Vieira Lopes, presidente da CCP, quer mais apoios para o sector dos serviços Rui Gaudêncio

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) diz que “tudo o que seja injectar dinheiro na economia é positivo, mas depende como”.

Em declarações ao PÚBLICO, João Vieira Lopes referiu que a reprogramação estratégica do Quadro Estratégico de Referência Nacional (QREN), que será hoje entregue pelo Governo à Comissão Europeia, é um bom sinal. No entanto, o sucesso da reafectação de verbas “depende das prioridades”, sublinhou.

“Todo a estrutura de incentivos à exportação está focada na indústria, mas é preciso dar mais destaque aos serviços. É um sector-chave que represente mais de 25% das exportações e cujo crescimento não tem os mesmos problemas de periferia”, afirmou.

Numa primeira análise, o presidente da CCP considera a reprogramação estratégica benéfica para o país. “Tudo o que seja injectar mais dinheiro na economia é positivo”, sublinhou, acrescentando que a confederação tratará agora de analisar melhor quais as “prioridades” subjacentes ao novo QREN.

O plano com as novas aplicações destes fundos comunitários inclui, tal como o PÚBLICO noticiou hoje, um reforço de 842 milhões nos incentivos directos a empresas e nos mecanismos de engenharia financeira (705 e 137 milhões adicionais, respectivamente), com prioridade para as empresas de pequena e média dimensão, com vocação exportadora.

A reprogramação tem um bolo total de 3,5 mil milhões, abrangendo também o programa Impulso Jovem (334 milhões) e uma verba de 391 milhões para o ensino profissional, por exemplo. O programa Estímulo 2012, de apoio à contratação de desempregados, terá um apoio de 72 milhões.

Uma parte substancial desta reprogramação foi conseguida à custa da chamada “Operação Limpeza”, que o Governo pôs em marcha para recuperar verbas que estavam alocadas a projectos sem execução. Até agora, este processo permitiu resgatar 700 milhões de euros, mas o montante será superior.

As metas de execução do QREN fixadas para este ano, e que apontam para uma taxa de 60%, serão estimuladas à custa de uma nova linha de crédito a Investe QREN, que o ministro da Economia já tinha anunciado na semana passada, numa entrevista ao Expresso. Esta linha terá uma dotação de mil milhões e ficará activa a partir de 15 de Agosto.

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