Caso Pescanova chega ao Ministério Público espanhol

Supervisor do mercado de capitais enviou investigação sobre a multinacional pesqueira por suspeitas de abuso de mercado.

A Pescanova tem em Praia de Mira a maior unidade de cultivo de pregado a nível mundial Adriano Miranda

O regulador do mercado de capitais espanhol enviou para o Ministério Público documentação sobre a Pescanova relacionada com as suspeitas de abuso de informação privilegiada por parte da multinacional, cujo presidente, Manuel Fernández de Sousa, reduziu a sua posição na multinacional antes de comunicar os problemas financeiros do grupo pesqueiro.

A investigação da Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), aberta por “indícios de comportamentos de abuso de mercado”, seguiu para a Procuradoria-Geral do Estado na última quinta-feira, confirmou a presidente da entidade supervisora, Elvira Rodríguez.

Só na semana passada, o presidente da Pescanova, herdeiro e líder do grupo há mais de 30 anos, fez saber ao mercado que a sua participação na empresa baixou para 7,45% entre Dezembro e Fevereiro, ou seja, antes de a multinacional admitir irregularidades nas contas.

A investigação da CNMV, centrada em apurar “a existência de possíveis indícios de comportamento de abuso de mercado por parte da empresa, dos seus administradores ou de terceiros”, foi aberta semanas antes e veio a público a 11 de Março, já depois de a Pescanova adiar a apresentação do relatório e contas de 2012 e abrir um pré-concurso de credores para iniciar um processo de reestruturação da dívida.

Presidente no centro das críticas
O líder da Pescanova não tinha revelado ao mercado até 15 de Abril que reduzira para cerca de metade a sua posição na Pescanova, vendendo acções no valor de 31,5 milhões de euros – uma decisão que justificou com a necessidade de dar liquidez à empresa.

No dia seguinte, porém, a empresa veio esclarecer que, em Fevereiro, Manuel Fernández de Sousa emprestou à empresa (por três meses e a uma taxa de juro de 5%) 9,3 milhões de euros, menos de um terço do valor das acções alienadas.

As contas que a empresa apresentou ao regulador foram recusadas, por não estarem de acordo com os critérios exigidos. Manuel Fernández de Sousa tem sido pressionado pelos bancos credores e criticado por outros accionistas, tendo chegado a ser desmentido publicamente por dois deles em relação ao plano de reestruturação da Pescanova.

Agora, num artigo recente, foi a vez de Alfonso Paz-Andrade, accionista e ex-conselheiro delegado do grupo, pedir mudanças nos órgãos e no modelo de gestão da multinacional, que em Praia de Mira tem a maior unidade de cultivo de pregado do mundo.

A revista Industrias Pesqueras, da qual Paz-Andrade é director, atribuiu a responsabilidade da crise na Pescanova não apenas a Fernández de Sousa e à empresa que auditou as contas do grupo durante mais de dez anos, a BDO, mas aponta também o dedo aos bancos pelo seu papel na avaliação dos activos da Pescanova. E deixa ainda uma palavra sobre a CNMV, que diz não ter actuado preventivamente, deixando a Pescanova chegar a uma situação que acabou por “rebentar com estrondo”.

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