Alta velocidade

Bruxelas diz não haver conflito com Portugal por causa do fim do projecto do TGV

Governo assumiu ontem o fim do projecto da alta velocidade Foto: Nuno Ferreira Santos

O comissário europeu dos Transportes negou hoje “qualquer conflito” com Portugal devido à decisão do Governo de abandonar o projecto do TGV, considerando mesmo que “talvez nem seja muito racional” querer implementar a alta velocidade em toda a Europa.

No final de um Conselho de Ministros dos Transportes da União Europeia, dedicado às redes transeuropeias de transportes, o comissário Siim Kallas, relativizou o fim definitivo ao projecto de TGV por parte do Governo português. As ligações ferroviárias nas quais o país deverá investir “são também muito rápidas”, contrapôs.

Apontando que, por exemplo, o TGV entre Paris e Bruxelas atinge velocidades superiores a 300 km por hora, Kallas sustentou que “talvez não seja muito racional” querer aplicar este modelo em toda a Europa ou fazer deste objectivo uma prioridade, até porque os comboios de velocidade elevada cumprem também os objectivos, com velocidades na ordem dos 200 km por hora, “o que significa que em quatro horas cobrem 800 quilómetros”, uma área apreciável.

“Sejamos racionais no desenvolvimento desta rede” transeuropeia, acrescentou. O comissário garantiu, por isso, que “não há qualquer conflito com Portugal neste momento”, até porque o país continuará a assegurar ligações importantes, no quadro da rede transeuropeia.

Presente no Conselho ministerial de hoje em Bruxelas, o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, escusou-se a falar aos jornalistas portugueses. O Governo já recebera autorização de Bruxelas para aplicar os fundos de 382 milhões de euros do TGV para a ligação ferroviária em bitola europeia dos portos portugueses para Espanha e o centro da Europa.

O Governo português, aliás, nunca pôs em causa este projecto, intenção que ainda ontem o Ministério da Economia reafirmou, lembrando a possibilidade de, “no futuro”, explorar as ligações a Espanha e França “continuarão a merecer o trabalho do Governo”.

Antes de assumir a pasta da Economia, Santos Pereira criticou “a posta desenfreada no investimento público”, sublinhando no seu livro Portugal na Hora da Verdade – Como Vencer a Crise Nacional: “Com a ajuda dos subsídios europeus, apaixonámo-nos pelo milagre das obras públicas, que rasgaram auto-estradas, pontes, viadutos e vias de comunicação um pouco por todo o país. E quem diz auto-estradas, diz o próprio TGV. Um erro tremendo, como é evidente, e uma quimera que nos está a sair muito cara”.

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