BIC contrata antigo gestor da equipa de Cadilhe no BPN

O banco continua a gerar prejuízos para o Estado Foto: Raquel Esperança

O gestor Rui Pedras foi convidado para integrar a gestão executiva do BIC Portugal, o grupo luso-angolano liderado por Mira Amaral, que há um ano adquiriu ao Estado o Banco Português de Negócios (BPN), aguardando apenas a autorização do Banco de Portugal para assumir o cargo.

Um ano depois da privatização do BPN, o dossier continua, entretanto, a gerar polémica: o PCP estimou na terça-feira, na Assembleia da República, que este ano o impacto do “buraco” do BPN no défice não seja de 500 milhões, como previsto, mas de 600 milhões de euros.

O Banco de Portugal ainda não se pronunciou sobre o convite realizado pelo BIC Portugal a Rui Pedras, o que deverá fazer nos próximos dias. O gestor terá sido sondado por Fernando Teles, accionista e presidente não-executivo do BIC Portugal, controlado por Américo Amorim e Isabel dos Santos, e já aceitou o desafio. O contrato de compra do BPN foi celebrado há oito meses, numa cerimónia protocolar em Lisboa, onde Pedras esteve presente, dada a sua qualidade de gestor executivo da instituição privatizada.

Rui Pedras fez parte da equipa de Miguel Cadilhe que liderou o BPN durante os quatro meses que antecederam a sua estatização, e foi o único membro do conselho a transitar para a gestão pós-nacionalização. O gestor manteve-se na administração do BPN, nomeada pela Caixa Geral de Depósitos, até à privatização.

Tal como Fernando Teles, actualmente à frente do grupo BIC Angola, como principal executivo, Rui Pedras passou pelo Banco de Fomento Exterior (adquirido nos anos 1990 pelo BPI). Trabalhou ainda nos grupos BPA, BPI, BCP e Santander, para além de ter sido vogal do conselho directivo da CMVM, tendo a seu cargo o departamento de supervisão da gestão de activos.

O BIC Portugal pagou 40 milhões de euros pelo banco alvo de uma gigantesca burla levada a cabo pela gestão de Oliveira Costa em articulação com alguns accionistas. A comissão de inquérito sobre o BPN estimou que o custo líquido para os contribuintes, da intervenção no BPN, possa atingir os 3,4 mil milhões de euros e que o impacto no défice deste ano será de 500 milhões de euros – montante que resulta da soma dos juros (265 milhões de euros) com “contingências” (236 milhões de euros).

No entanto, o deputado do PCP Honório Novo considera este cenário “não compatível, no que respeita aos juros, com a execução orçamental em curso”, nomeadamente a das sociedades veículo que ficaram com activos do banco. “Isto pode atirar os encargos com juros para os 323 milhões de euros – 90 milhões de euros acima do valor inscrito na proposta de conclusões da comissão de inquérito.” O PCP refere que o impacto no défice de 2012 será, então, de 600 milhões de euros, e não de 500 milhões como era expectável.

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