BES capta cinco mil milhões com produto Cristiano Ronaldo em Portugal

Cerca de 35% dos depósitos a prazo de particulares do banco são, em Portugal, de contas de rendimento CR.

Ronaldo é o rosto das campanhas publicitárias do BES JAVIER SORIANO/AFP

Ao escolher Cristiano Ronaldo como rosto publicitário do Banco Espírito Santo (BES), a instituição captou em Portugal, em três anos, cinco mil milhões de euros em depósitos a prazo de particulares no produto CR, publicitado pelo jogador do Real Madrid.

Os valores dizem respeito ao período de Outubro de 2009 a Outubro deste ano. Cerca de 35% dos depósitos a prazo de particulares estão alocados a contas de rendimento CR.

O stock de recursos de particulares do banco liderado por Ricardo Salgado é de 25 mil milhões, dos quais 14 mil milhões são depósitos a prazo. Destes, cinco mil milhões estão alocados a contas CR.

A campanha publicitária envolve ainda Espanha, mas estes números referem-se apenas a Portugal. Para o administrador do BES Joaquim Góis, a campanha publicitária dos últimos três anos surtiu o seu efeito, “combinada com a imagem do BES e o prestígio” do jogador português. O valor dos depósitos, sublinhou, está muito acima de outros produtos comercializados pelo banco.

As declarações de Joaquim Góis foram feitas numa conferência que decorre entre esta quinta e sexta-feira, em Madrid, sobre as novas tendências dos consumidores.

Em Espanha, a associação ao jogador português trouxe também dividendos ao BES, que tem uma operação neste país com uma rede de agências de 25 balcões (mais cinco até Janeiro), que deverá chegar aos 45 no final de 2013.

Os superdepósitos promovidos por Cristiano Ronaldo, marca CR, permitiram ao BES Espanha duplicar a sua rede de clientes de topo de gama (um depósito exige um mínimo de 50 mil euros), de dez mil para 20 mil, em apenas três anos.

Os recursos sofreram também, com a “ajuda” do melhor jogador do mundo, um incremento de 1500 milhões de euros, o que permitiu ao BES Espanha ganhar autonomia em termos de obtenção de liquidez.

Em 2009, 21,9% do total do funding obtido pelo BES Espanha provinha de Lisboa. Em 2011, segundo o responsável pela operação do BES, Pedro Escudero, a casa-mãe apenas satisfazia 10% das necessidades, valor que hoje garante ser residual. O peso dos recursos de clientes (muito à custa de Cristiano Ronaldo) passou de cerca de 40% para quase 75%.

A jornalista viajou a convite do BES
 

Comentários

Os comentários a este artigo estão fechados. Saiba porquê.

Nos Blogues