Na primeira reunião do ano, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter a sua política monetária, uma decisão que era esperada.
O BCE decidiu esta quinta-feira manter a taxa de juro de referência nos 0,75%, máximo histórico de sempre, depois de ter deixado a porta entreaberta a uma nova descida das taxas durante o ano em curso, se os indicadores macroeconómicos o justificarem.
Apesar desta abertura, a maioria dos analistas e casas de investimento não espera um corte de taxas na reunião desta quinta-feira, até porque as taxas de juro no mercado interbancário estão abaixo da taxa directora.
Em conferência de Impresa, o presidente do BCE, Mario Draghi, destacou um conjunto de factores que estão a registar melhorias que ainda não chegaram à economia real, algo que será uma “questão de tempo”.
Apesar de admitir várias vezes “que é uma questão de tempo”, as melhorias que sinalizou não são ainda suficientes para a instituição alterar as perspectivas económicas, que continuam “débeis”, classificação que vem do ano anterior.
As melhorias que Draghi referiu são ao nível dos mercados financeiros, com reflexos na descida dos juros das obrigações soberanas, na subida das bolsas e na descida da volatilidade, e ainda na subida dos depósitos, nos países periféricos, que estão a contribuir para a redução da dependência de financiamentos do BCE.
Apesar de admitir que não se trata de melhorias “exuberantes”, mas antes de “uma normalização de condições”, a decisão do BCE de manter as taxas de juro não foi unânime.
Quando questionado se as melhorias registados nos últimos dias, com destaque para o regresso bem sucedido da Irlanda aos mercados, significa uma viragem na crise, o presidente do BCE respondeu com cautela, destacando que os sinais de estabilização dos mercados ainda não chegaram à economia real. “Ainda faltam sinais dessa recuperação na economia, que esperamos que cheguem este ano, para pensar em retirar os estímulos” adoptados pela instituição.

Comentar