Banco de Portugal teve lucro de 449 milhões

Lucros cresceram 1341% em 2012 quando comparado com 2011.

Entidade liderada por Carlos Costa pagou 325 milhões em impostos Jorge Miguel Gonçalves/nFACTOS/Arquivo

Em 2012 o Banco de Portugal (BdP) registou um lucro de 449 milhões de euros, que compara com os 31 milhões de euros apurados em 2011. O que dá um crescimento de 1341%.

A entidade justifica esta evolução com a menor transferência de verbas para provisões, que em 2012 foi de 268 milhões de euros. Em 2011 tinha sido à volta de 460 milhões de euros.

Em 2012, o banco central pagou de imposto líquido e de dividendos 359,648 milhões de euros; deste valor, o imposto foi de 325 mil euros. O BdP entrega ao Estado 359 milhões de euros de dividendos, 80% dos seus lucros.

As reservas de ouro do BdP mantêm-se em 382,5 toneladas, ainda que o seu valor tenha aumentado para 15,5 mil milhões de euros (o que duplica o valor registado nas contas de 2008), mais 545 milhões de euros do que em 2011. A evolução acompanha a subida dos preços do metal precioso nos mercados internacionais.

Baixa de impostos
O governador do BdP lembrou que foi dos primeiros a chamar a atenção para a necessidade de preparar o período pós-troika, mas antes “é preciso assegurar a sustentabilidade das Finanças Públicas para garantir o regresso ao mercado de forma credível e estável.”

Na fase seguinte, garantida a sustentabilidade das finanças públicas, vai ser preciso saber o que fazer “com o bónus do crescimento”, o que terá de começar a ser preparado.

Para Carlos Costa “o excedente” pode ser aplicado de duas formas: ou para voltar às praticas anteriores de aumento da despesa; ou para reduzir a tributação e reduzir a divida. Esta última solução “é a única que interessa” pois é geradora de emprego. O governador reforçou a ideia de que “baixar impostos só depois de ter margem de manobra e de garantir a consolidação das contas públicas.”

Sobre as expectativas de uma continuada evolução da taxa de desemprego, que está quase em 18%, Costa considera “que embora preocupante, não é surpreendente”, pois muitos empregos foram destruídos e não voltarão a ser repostos dado que alguns sectores [construção, restauração] “estavam sobredimensionados”. Mas há que assegurar que os “trabalhadores são requalificados para serem colocados noutros sectores, mas também que haja investimento quer local quer externo.”

Instado a comentar as declarações dos banqueiros portugueses de que actualmente não existe falta de crédito, porque as empresas é que não o procuram por não acreditarem na evolução favorável da economia, Carlos Costa salientou que “existe hoje uma diferenciação na concessão de crédito entre grandes e pequenas empresas e que está relacionada com a percepção de risco”.

“Quanto mais pequenas são as empresas, maior é a percepção do risco e é preciso que estas reduzam essa percepção ou através do reforço das garantias dadas à banca ou do reforço dos capitais próprios”. Os bancos, avisou, não podem voltar ao esquema anterior de facilitação do crédito.
 
 

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