Banca espanhola transfere 36 mil milhões para “banco mau”

Os quatro bancos com participação do Estado espanhol anunciaram o valor das transferências de activos tóxicos para o “banco mau”. Bankia tem fatia de 22 mil milhões de euros.

Ministério das Finanças espanhol espera que o "banco mau" chegue aos 50 mil milhões de euros em activos tóxicos em Fevereiro de 2013 Javier Soriano/AFP

Em apenas três dias, os quatro bancos espanhóis com participações do Estado anunciaram a transferência de mais de 36 mil milhões de euros em activos tóxicos para o “banco mau”, avança nesta quarta-feira a imprensa espanhola.

Coube ao Bankia a maior fatia. O banco resgatado este ano pelo Estado anunciou à comissão de valores imobiliários a transferência de 22,3 mil milhões de euros. Segundo o El País, o Banco da Catalunha vai transferir a segunda maior quantia, 6708 milhões de euros, ao qual se segue o Banco Novagalícia, com 5096 milhões, e, por fim, o Banco de Valência, que anunciou a transferência de 1962 milhões de euros.

Para os bancos com participação do Estado, o prazo-limite para o pedido de saneamento das contas termina no dia 31 de Dezembro, data em que as transferências se vão concretizar. Mas só desde o dia 23 de Dezembro é que a sociedade de gestão de activos tóxicos vulgarmente conhecida como “banco mau” começou a aceitar pedidos de transferência.

Só depois de encerradas estas transferências é que o “banco mau” abre as portas a um segundo grupo de instituições financeiras: as que receberam apoios do Estado mas que não tenham participação pública. Segundo as previsões do Governo, o “banco mau” deve assegurar a transferência de 50 mil milhões de euros em Fevereiro do próximo ano.

O “banco mau” foi anunciado este ano como parte da nova reforma do sistema financeiro espanhol, exigida pela Comissão Europeia como contrapartida ao resgate financeiro à banca. A instituição vai funcionar durante 15 anos e trocará os activos tóxicos por obrigações do Tesouro espanhol, na esperança de que este processo permita aos bancos uma maior liberdade no apoio à economia nacional.  

A financiar estas operações estará o FROB, o Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária, com linha directa de financiamento de Bruxelas. Nas mãos deste fundo estará a gestão dos activos tóxicos, que serão mais tarde revendidos com um desconto médio de 63%, no caso dos activos imobiliários, e de 45,6%, no dos créditos bancários.  

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