Austríacos dizem que Portugal devia promover crescimento e baixar IRS

Um instituto de estudos económicos austríaco diz que as ideias de Bruxelas funcionam melhor na teoria do que na prática e que há outros caminhos para resolver a crise nos países do Sul da Europa.

A situação no Sul deve preocupar toda a UE Foto: Dominique Faget/AFP

O Instituto de Pesquisa Económica da Áustria (WIFO) defende que Portugal se deve empenhar numa "política de crescimento activo" para além da consolidação orçamental, defendendo a redução dos impostos sobre os rendimentos de trabalho e investimentos na educação.

 

"Continuar como até agora não dá mais. Os países [Portugal, Grécia, Espanha] ainda não saíram da crise", frisou o presidente do WIFO, Karl Aiginger, na quarta-feira, durante a apresentação de um estudo em Viena sobre a gestão da crise no Sul da Europa.

As mensagens do instituto são claras: as ideias de Bruxelas funcionam melhor na teoria do que na prática, os impostos sobre os rendimentos de trabalho devem ser reduzidos, a resolução da crise nos países periféricos é do interesse de toda a Europa, a estratégia de consolidação orçamental não tem dado os resultados pretendidos e os prazos para atingir as metas orçamentais devem ser mais alargados.

No entender do responsável da WIFO citado pela imprensa austríaca, Portugal, Grécia e Espanha devem apresentar eles próprios um programa de reformas orientado para o futuro e não apenas criticar as orientações de Bruxelas, que, apesar de estarem certas em teoria, pecam a nível estrutural.

O instituto diz que ainda há esperança para que estes países consigam "dar a volta" à actual situação de crise, apesar de considerar que a probabilidade não é "muito elevada". O seu presidente, aliás, critica o facto de a despesa orçamental nestes países não ter sido realocada para sectores de futuro, como a educação, e apresentou as despesas na área da Defesa na Grécia, que permanecem elevadas, como um mau exemplo.

Karl Aiginger sugere também que os impostos sobre os rendimentos do trabalho devem ser reduzidos e que a actuação do fisco deve ser sistemática e incluir activos escondidos no exterior.

O responsável do WIFO realça ainda que a "triste situação económica da Grécia, Espanha e Portugal" é algo que deve preocupar toda a União Europeia, salientando que a Europa do Sul é uma "peça essencial", já que estes países constituem uma ponte para regiões de rápido crescimento, como a África do Norte, a região do mar Negro ou do Médio Oriente.

Aiginger considera ainda que as estratégias de consolidação orçamental para a Europa do Sul "falharam os seus objectivos, criticando que, após quatro anos de crise económica e austeridade, o défice orçamental nesses países se situe, em média, nos 6% e a dívida pública tenha aumentado para uma média entre 75% a 118% do PIB.

O economista do WIFO Peter Huber aponta, por sua vez, os baixos níveis de produtividade como a principal causa de perda de competitividade nos países do Sul da Europa, alertando ainda que uma estratégia de baixos salários para a Grécia, Espanha e Portugal não vai funcionar a longo prazo.

Com base numa análise regional feita pelo instituto, o WIFO considera assim que, a par da consolidação orçamental, estes países devem reorientar a economia para apostar em sectores produtivos.

A prioridade máxima para Grécia, Portugal e Espanha, conclui o WIFO, passa pela reconstrução da sua base produtiva. Nesse sentido, é fundamental que existam "estímulos para o investimento privado e actividades de inovação empresarial", bem como uma maior cooperação entre as empresas. Contudo, a UE também tem de ir ao encontro destes países e alargar os prazos de consolidação orçamental concedidos.
 
 

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