Num comunicado enviado nesta segunda-feira, o grupo de capitais argentinos afirma que “tem fechada a sua proposta sobre a ANA”, que terá de ser entregue à Parpública até dia 14 de Dezembro, de acordo com o calendário definido pelo Governo. “Trata-se de uma proposta técnica e financeiramente competitiva”, refere a CA.
Estas declarações surgem numa altura em que se especulava que o consórcio que lidera e que conta com três empresas portuguesas (Sonae Sierra, Auto Sueco e Empark) iria desistir do negócio, por falta de capacidade financeira.
No entanto, o grupo frisa que não abandonou a intenção de adquirir a gestora aeroportuária do Estado, numa privatização em que há outros quatro candidatos elegíveis. No entanto, não é certo que todos apresentem a proposta final de compra até dia 14, sexta-feira.
A CA refere, no comunicado, que está “preparada e motivada para dar seguimento à estratégia de consolidação e expansão da concessionária aeroportuária portuguesa, tendo como condição essencial a manutenção do hub [placa giratória] de Lisboa, sem o qual a expansão da ANA se torna inviável”.
O grupo acrescenta ainda que o investimento que pretende realizar na empresa estatal “insere-se no quadro dos planos de expansão da sua rede de aeroportos”, que está bem implementada na América Latina, mas que se estendeu nos últimos anos à Itália e à Arménia.
Tal como o PÚBLICO noticiou nesta segunda-feira, a decisão do Governo sobre quem vencerá a privatização da ANA será tomada em Conselho de Ministros, a 27 de Dezembro, o que fará com que o contrato de venda só deva ser assinado no início do próximo ano.
O investidor escolhido terá de pagar, a título de sinal, 100 milhões de euros e prestar garantias bancárias num valor que corresponda à diferença entre aquele montante e o preço total a pagar pela ANA. Este preço incluirá o custo da concessão por 50 anos dos aeroportos portugueses, cujo contrato será assinado com a gestora aeroportuária do Estado já na quinta-feira, dia 13.
CCR pode oferecer mais
O director de novos negócios da CCR, que integra o grupo da Flughafen Zürich à privatização da ANA, afirmou nesta segunda-feira à Lusa que a empresa tem condições para oferecer mais dinheiro pela gestora de aeroportos.
Até meados do mês passado, a CCR fazia parte de outro consórcio, ao lado da também brasileira Odebrecht, que não foi classificado para a segunda fase do processo de privatização da ANA. O mesmo grupo chegou a ter a participação da Brisa, que saiu do consórcio antes da apresentação das propostas não vinculativas.
Leonardo Vianna afirmou que o antigo consórcio avaliou a concorrência de maneira “conservadora” e que, agora, a proposta - a ser entregue até sexta-feira - poderá ser melhorada, mas não divulgou os valores que vão ser apresentados.
“Empresas como a nossa, que lá atrás avaliou de maneira conservadora, com certeza que agora - com o esclarecimento feito pelo Governo - tem condições e tem certeza de que esse preço pode ser aumentado”, afirmou o responsável.
O diretor da CCR desvaloriza o peso da proposta de 2,5 mil milhões de euros apresentada pelos franceses da Vinci, a oferta mais alta na primeira fase de propostas não vinculativas, segundo a Bloomberg.
“As condições para as propostas já mudaram bastante até hoje e os preços não serão aqueles que foram oferecidos. Não se sabe se serão maiores ou menores, cada um vai fazer as suas avaliações”, disse.
Sobre a eventual entrada de novos parceiros, disse que o “grupo está formado, com participações equilibradas”, mas que “a sociedade [consórcio] está sempre aberta a estudar e a avaliar novas propostas”.
No entanto, de acordo com o responsável, a entrada de um novo sócio não está em cima da mesa neste momento. O responsável diz que “não faz sentido” devido ao equilíbrio das actuais participações do consórcio, que conta ainda com a suíça Flughafen Zürich, que opera o aeroporto de Zurique, e com o fundo britânico GIP, controlador do aeroporto de Gatwick.

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