Agências de rating insatisfeitas com acordo para evitar precipício orçamental

À medida que se aproximam mais combates partidários sobre a economia norte-americana, as agências de rating pedem mais medidas para combater o défice.

O líder republicano no Senado, Mitch McConnell, negociou com Joe Biden os detalhes do acordo para o "precipício orçamental" Jonathan Ernst/Reuters

A Standard & Poor’s e a Moddy’s anunciaram na madrugada desta quinta-feira (noite de quarta-feira nos EUA) que o acordo para evitar o apelidado “precipício orçamental” é insuficiente para contrariar a instabilidade da economia norte-americana e que as perspectivas negativas sobre o rating da dívida dos EUA se mantêm.

As duas agências norte-americanas dirigem as suas maiores preocupações para o défice orçamental dos EUA, agravado pelo acordo para o “precipício orçamental”. Para a Moody’s, a única das duas agências que mantém a nota máxima triplo A para a dívida dos EUA, o Congresso norte-americano deve tomar medidas extraordinárias para reduzir o défice orçamental; caso contrário, o rating da dívida poderá ficar em risco.

Já a Standard & Poor’s critica a decisão do Congresso norte-americano de ter apenas subido os impostos sobre os rendimentos mais altos, mantendo os cortes nos impostos sobre os rendimentos abaixo dos 300 mil euros.

Apesar da perspectiva negativa sobre a cotação da dívida norte-americana - que, em 2011, reduziu para o segundo melhor nível, o Aa+ -, a S&P não ameaça os EUA com novo corte no rating. No entanto, a agência norte-americana avisa que “o acordo pode acrescentar centenas de milhares de milhões de dólares ao défice orçamental ao prolongar a maior parte dos cortes nos impostos”.

O gabinete orçamental do Congresso norte-americano estima que as medidas negociadas para evitar o “precipício orçamental” podem acrescentar mais 4 biliões de dólares (milhão de milhões) ao défice orçamental durante os próximos 10 anos do que os cortes automáticos que entrariam em vigor na ausência de um acordo.

Na madrugada de quarta-feira de Lisboa, democratas e republicanos aprovaram as medidas que evitavam o “precipício orçamental”, e que agem sobretudo através de um aumento nos impostos sobre os rendimentos mais altos. Com o acordo, os dois partidos colocaram um fim aos receios que envolviam o aumento automático de impostos sobre todos os rendimentos e cortes automáticos na despesa que entrariam em vigor dia 1 de Janeiro, provavelmente arrastando os EUA para uma recessão técnica durante os primeiros seis meses do ano: o “precipício orçamental”.

Congresso espera novos confrontos
Barack Obama promulgou o acordo do Cogresso na madrugada desta quinta-feira, hora de Lisboa. Mas, apesar de o “precipício orçamental” ter saído do horizonte, democratas e republicanos devem voltar brevemente às discussões orçamentais no Congresso.

Nos próximos dois meses serão debatidos cortes na despesa do Estado e um aumento no tecto da dívida pública. Afirma a Reuters que o Partido Republicano procura agora restabelecer-se da vítoria democrata com uma postura rigorosa sobre o aumento do tecto máximo na dívida. Esta será uma oportunidade para que a agenda republicana recobre dos aumentos dos impostos sobre os mais ricos e para que a pressão sobre o desejado corte na despesa do Estado ganhe terreno, como afirmou o senador republicano Pat Toomey à cadeira televisiva norte-americana MSNBC. 

Para além do debate sobre o tecto da dívida, e ainda como parte do acordo para o “precipício orçamental”, aguardam decisão os cortes na despesa do Estado, adiados por dois meses de forma a impedir a entrada de cortes automáticos de 110 mil milhões de dólares, que incidiram sobretudo sobre os gastos com a defesa.

Estes cortes serão compensados com reduções nos gastos que ainda não foram especificadas e que têm ainda que ser negociadas entre democratas e republicanos. 

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