Accionistas da Pescanova reúnem-se em assembleia geral para debater dívida

Grupo espanhol, que está a ser investigado pelo regulador do mercado de capitais, comprometeu-se a explicar as “discrepâncias” sobre a dívida da empresa.

A Pescanova tem um viveiro de pregados na zona de Mira Nelson Garrido

Os accionistas da Pescanova marcaram uma assembleia geral extraordinária para quinta-feira, com o objectivo de estudar a dívida do grupo, depois de a administração reconhecer irregularidades nas contas da empresa.

Segundo o jornal Expansión, que cita dados do Banco de Espanha, a dívida do grupo galego é de 2500 milhões de euros. Na sequência de uma investigação aberta pela Comissão Nacional do Mercado de Valores espanhola (CNMV), a Pescanova admitiu que poderá haver discrepâncias “significativas” entre a sua contabilidade e a dívida reclamada pela banca. A administração pediu uma auditoria para apurar o que está em causa e divulgar os resultados ao regulador “o mais rapidamente possível”.

Cerca de 1,6 mil milhões de euros que constituem a dívida pertencem à holding do grupo de pescas galego, estando actualmente a ser constituída uma comissão directora para negociar com a Pescanova que deverá incluir o Bankia, CaixaBank, Banco Popular, Sabadell, RBS e o Deutsche Bank, segundo o mesmo jornal.

A CNMV anunciou nesta semana a abertura de uma investigação para determinar a existência de “possíveis indícios de comportamentos de abuso de mercado” por parte da Pescanova, dos seus administradores ou de terceiras pessoas.

Na terça-feira, os títulos da Pescanova em bolsa afundavam perto de 20% quando o regulador suspendeu a cotação, por estarem a ser transaccionados a 5,91 euros, contra os 7,32 euros do fecho da sessão de segunda-feira. A queda das acções levou a entidade de supervisão a tomar esta medida preventiva, por considerar que as circunstâncias alterariam “o normal desenrolar das operações em termos de valor”.

Envolvida actualmente na renegociação da sua dívida, a Pescanova defronta-se com diversos bancos galegos, também eles em dificuldades, que estão a impor condições para atribuir crédito com custos mais elevados do que os anteriores.

Para conseguir liquidez, a Pescanova realizou em Março de 2010 uma emissão de obrigações convertíveis em acções no valor de 110 milhões de euros, com vencimento a cinco anos e em Abril de 2011 concluiu entre os investidores qualificados e institucionais uma outra emissão também de obrigações convertíveis no montante de 180 milhões de euros que vencem a 17 de Abril de 2017.
 

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