A corrida à "raspadinha" levou a que as vendas dos jogos sociais subissem para os 1575 milhões de euros até Novembro. Em 2012, o encaixe será de 1730 milhões de euros, uma subida de 6% face ao ano anterior
Mais de 20% das receitas dos jogos sociais explorados pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) são já proporcionadas pela lotaria instantânea, mais conhecida por "raspadinha". Entre Janeiro e Novembro deste ano (últimos dados disponíveis), as vendas da "raspadinha" valeram 337,3 milhões de euros, equivalente a 21,4% do total, quando em idêntico período homólogo tinham sido de 180 milhões (um crescimento de 87,4%).
Ao todo, tendo em conta o encaixe do Euromilhões e dos restantes jogos sociais, o valor bruto das vendas deverá ter atingido os 1730 milhões de euros no ano que agora terminou (mais 6% do que em 2011), segundo dados da SCML. Assim, conforme constata o vice-provedor da instituição, Fernando Paes Afonso, 2012 será responsável pelo "maior valor de sempre na história da SCML".
No caso da "raspadinha", o seu sucesso está relacionado com alterações ao jogo, como os prémios mais substanciais (o que por sua vez implica apostas de valor mais elevado), como o "super pé-de-meia", que podem chegar a 2000 euros por mês durante 12 anos. A "raspadinha" já é, aliás, a segunda maior fonte de receitas, tendo ultrapassado o Totoloto. No caso do Euromilhões, que se mantém como o principal jogo, este foi responsável por 969,8 milhões de euros até Novembro de 2012, mantendo-se em linha com os valores de idêntico período de 2011, não obstante uma ligeira oscilação negativa de 0,1%. Juntos, os dois jogos geridos pela instituição liderada por Pedro Santana Lopes têm já um peso de 83,4% no total das receitas no período em análise, quando um ano antes essa expressão era de 77,4%.
Totoloto perde 42,8 milhões
Olhando para os restantes jogos sociais, apenas o Totobola regista uma subida, de 8,3% (ou 843 mil euros). De resto, há uma queda nas lotarias Clássica e Popular, tal como no Joker e no Totoloto. Só este último perdeu 42,8 milhões de euros entre Janeiro e Novembro, enquanto os outros três perderam, tudo somado, 25,7 milhões (ver infografia).
Neste momento, a SCML está a equacionar a introdução de um novo jogo, algo que poderá ocorrer este ano ou em 2014. Para já, estão vários projectos em curso, numa estratégia de cooperação com lotarias de outros países. Ao mesmo tempo, a instituição que gere os jogos sociais está também a preparar o alargamento do cartão de apostador, vocacionado para as apostas online, à rede física de mediadores.
Novo cartão de apostas
De acordo com Fernando Paes Afonso, a iniciativa, considerada estratégica, está agora na fase de levantamento dos requisitos técnicos. "Se tudo correr bem, a sua utilização na rede física pelos apostadores será possível a partir de Outubro", refere este responsável.
De acordo com Paes Afonso, a maior abrangência deste cartão deve-se a três factores: prevenção do crime, melhores condições para os apostadores e prevenção face ao jogo excessivo. No primeiro caso, o gestor explica que o alargamento do uso do cartão à rede física (como as papelarias) dá "maior segurança aos mediadores e apostadores", uma vez que assim se reduz o numerário nas carteiras e caixas registradoras. No segundo caso, afirma que passará a existir "uma maior oferta de valor", já que quem aposta receberá os prémios automaticamente no cartão, além de ter acesso ao seu histórico, como as apostas que já fez e as chaves mais utilizadas. No terceiro caso, Paes Afonso esclarece que o cartão "contém mecanismos de limitação do valor do gasto", podendo assim ajudar a prevenir o jogo excessivo. Este cartão, pré-pago, tem um limite máximo actual de carregamento de 300 euros por dia.
O ano que agora começa tem uma outra novidade, já que entra em vigor o novo imposto de selo de 20% sobre os prémios iguais ou superiores a 5000 euros. Com esta medida, o Governo prevê um encaixe de cerca de 55 milhões de euros.

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