Faria de Oliveira e Pedro Rebelo de Sousa renunciaram ontem aos cargos que desempenhavam no grupo.
O Conselho de Ministros deverá hoje pronunciar-se sobre as mudanças em perspectiva na Caixa Geral de Depósitos (CGD), para onde deverá entrar um quadro do Banco de Portugal (BdP), a entidade de supervisão do sector financeiro. Ontem, o presidente não executivo Faria de Oliveira (chairman) confirmou que tinha resignado ao cargo, estando em curso a saída de mais dois gestores, estes da comissão executiva: Norberto Rosa, o vice-presidente, e Rodolfo Lavrador.
Ontem ficou também a saber-se que o advogado Pedro Rebelo de Sousa renunciou à administração (não executiva) da CGD, no mesmo dia em que Faria de Oliveira revelou ter resignado ao cargo de chairman, para se dedicar à liderança da Associação Portuguesa de Bancos (APB), a entidade que representa os interesses da banca (pública e privada). Duas decisões anunciadas dois dias antes da assembleia geral da CGD marcada para amanhã (esteve agendada para 9 de Maio e foi adiada).
Depois do pedido de demissão de António Nogueira Leite, no final do ano passado, as saídas de Rodolfo Lavrador e de Norberto Rosa (este gestor está em fim de mandato) da administração do grupo estatal surgem por vontade do Governo. E vão obrigar o Ministério das Finanças a "tapar" as três vagas abertas na comissão executiva. Rodolfo Lavrador, ex-BNU, foi chefe de gabinete de António Guterres e de Sousa Franco e secretário de Estado do Tesouro de Oliveira Martins. Já Norberto Rosa, ex-BdP, foi secretário de Estado do Orçamento de Eduardo Catroga e de Manuela Ferreira Leite.
Em cima da mesa para entrarem na Caixa estão agora os nomes de José João Guilherme (ex-administrador do BCP) e de Maria João Carioca, da SIBS. Mas o PÚBLICO sabe que José Matos (ex-BdP), em articulação com o governador do BdP, Carlos Costa, "exigiu" que o terceiro gestor a recrutar fosse oriundo do Banco de Portugal. Uma solução que permitirá substituir Norberto Rosa (também ex-BdP), que deverá regressar ao BdP, onde existe uma vaga na administração.
A CGD tem sido objecto de muitas críticas, pelos problemas surgidos na gestão das operações internacionais, nomeadamente brasileira e espanhola. Mas também pela concessão de créditos com garantias insuficientes, uma prática de anos anteriores, mas que continua a penalizar as contas do banco. Algumas operações imobiliárias e de gestão de activos geram preocupação, com imparidades de quase mil milhões de euros. É neste quadro que o Conselho de Ministros de hoje irá abordar o tema CGD (apesar de não constar da agenda de trabalhos). Para além da nomeação dos novos gestores (que não é matéria do Conselho de Ministros), Passos Coelho poderá aproveitar para falar de uma nova carta de orientação estratégica, onde incluirá metas e indicações no sentido de dotar a instituição de meios para um maior envolvimento no financiamento à economia. Outra possibilidade a discutir é um novo esquema de governação que envolva uma administração com maioria de independentes e de não executivos (para controlar a comissão executiva).
Hoje realiza-se igualmente o almoço (inédito) entre a equipa de José Matos e os altos quadros do banco, a convite de CEO. O timing não terá sido escolhido por acaso: o encontro decorre no mesmo dia do Conselho de Ministros e na véspera da assembleia geral do grupo que deverá formalizar as mudanças em curso.
Faria de Oliveira vai dedicar-se em exclusivo ao cargo de presidente da Associação Portuguesa de Bancos, o órgão que representa as instituições financeiras públicas e privadas. Faria é presidente da APB desde há um ano, quando optou por receber o seu salário através desta instituição.

Comentar