É mais o que os une do que aquilo que os separa

Esta jornada e a anterior são aquilo que o comentador Luís Freitas Lobo chamou de "Cabo das Tormentas" do campeonato. Quem sair na frente após esta jornada, não será matematicamente campeão, mas já "só poderá perder o campeonato". Mas tem sido difícil separar os três primeiros. Desde a jornada 20 que a diferença entre eles não tem sido maior do que três pontos e chegaram a estar separados apenas por um durante duas jornadas (22.ª e 23.ª), o que torna difícil prever alguma coisa. "Não há nenhum que esteja muito mais forte que os outros", refere o comentador. Até na perspectiva do que esta época ainda pode trazer em termos de troféus. O campeonato é a única conquista possível para FC Porto e Sp. Braga, enquanto o Benfica ainda tem também a Taça da Liga, mas esse é um objectivo assumidamente menor.

FC Porto

É o líder e tem a história do seu lado. Nos últimos 40 anos, só por uma vez o FC Porto perdeu o título quando liderava a cinco jornadas do fim (em 1979/80, para o Sporting) e tem sido a equipa que mais troféus tem ganho nos últimos tempos. Mas este FC Porto de Vítor Pereira, na opinião de Freitas Lobo, perde na comparação para quase todas as equipas portistas das últimas décadas: "Este FC Porto vai em primeiro, mas a consistência que tem mostrado não é natural. Está muito longe do FC Porto de Villas-Boas e até das equipas de Jesualdo Ferreira."

Os portistas têm o melhor ataque (56 golos marcados, tal como o Benfica) e a melhor defesa do campeonato (17 golos sofridos), mas não têm conseguido assumir a liderança de forma inequívoca quando já tiveram várias oportunidades para o fazer. Freitas Lobo aponta a falta de opções no meio-campo como um dos pontos fracos da equipa, referindo que a chegada de Lucho em Janeiro não chegou para compensar as saídas de Belluschi, Guarín e Souza: "Não se pode ter só quatro médios no plantel. Ter o Lucho ajuda sempre, mas este é um Lucho de 60 minutos e não de 90, e ele tem jogado demasiado adiantado."

Benfica

O que o Benfica poderá fazer dependerá muito de quem Jorge Jesus terá para formar a sua defesa. Com os quatro centrais lesionados, os "encarnados" tiveram de jogar com dois adaptados no eixo da defesa, Emerson e Javi García, que poderão ter de continuar a jogar um ao lado do outro frente ao Sporting se nenhum dos outros recuperar - o departamento clínico dos "encarnados" informou ontem que Luisão, Garay, Miguel Vítor e Jardel continuam indisponíveis.

"Emerson foi uma boa adaptação, mas Javi García é um médio e pensa como um médio, como mostrou o penálti que fez no jogo com o Chelsea", defende Freitas Lobo. A eliminação da Liga dos Campeões limitou os horizontes do Benfica às competições nacionais, mas, segundo o comentador, as boas exibições frente ao Chelsea podem servir de combustível aos "encarnados". "A forma como o Benfica foi eliminado pode reforçar as suas ambições", acrescenta.

Sp. Braga

Apesar da derrota na Luz no último fim-de-semana, o Sp. Braga é quem se tem mostrado mais consistente nesta última fase da Liga. Os minhotos conseguiram uma impressionante série de 13 vitórias consecutivas (a melhor série do campeonato esta época) e são candidatos por direito próprio. Usando uma expressão do próprio Leonardo Jardim, os minhotos já meteram mesmo "os papéis da candidatura".

"É uma equipa homogénea e bem dotada. O Hugo Viana tem estado muito bem e o Lima [melhor marcador da prova, com 19 golos] tem correspondido", considera António Oliveira. A seu favor têm o que Freitas Lobo considera ser "o melhor calendário entre os três". Dos cinco jogos que faltam aos minhotos, três são em casa e o Sp. Braga é a melhor equipa da Liga a jogar em casa, onde só cedeu um empate em 12 partidas.

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