Presidente da Liga não quer árbitros a apitar jogos dos clubes com que simpatizam

Mário Figueiredo defende que os homens que dirigem os encontros de futebol deveriam dizer qual o clube de que são adeptos.

Mário Figueiredo propõe mudanças para a arbitragem Ricardo Castelo/NFactos

O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) considera que todos devem saber qual o clube de determinado árbitro e que eles não devem apitar os jogos em que esse emblema está envolvido. O líder da Liga de clubes defende ainda a profissionalização da arbitragem e inclusão de árbitros de baliza.

Mário Figueiredo considera que as nomeações para jogos de clubes dos quais se sabe que os árbitros são adeptos ou simpatizantes "é um desastre". "Estamos a colocar os árbitros numa posição muito difícil. Eu acho que devia haver um registo de interesses sobre as preferências dos árbitros, que depois não podem apitar os jogos desse clube, nem os clubes com mais rivalidade com esse clube", explicou.

O presidente da LPFP manifestou-se ainda favorável à existência de árbitros profissionais em exclusividade para a I Liga e o recurso a árbitros de baliza neste campeonato. E explicou porquê: "Muitas vezes o árbitro não consegue ver lances de penáltis que ficam por marcar ou penáltis mal marcados, porque ele não consegue ver. Eu posso dar inúmeros exemplos, vistos na televisão, de que só um árbitro na posição oposta ao principal é que pode ver se a bola entrou ou se foi falta. É essencial que se dê aos árbitros condições para arbitrar com qualidade. Para mim é com árbitros de baliza e árbitros profissionais na I Liga", afirmou.

"Nós não podemos tornar exclusivos os árbitros da II Liga, que era caríssimo e não há maneira de o fazer. Eu defendo que devemos profissionalizar uma elite de árbitros que só apitaria a I Liga, que estariam em exclusividade, teriam um registo de interesses muito bem apurado, como o exemplo da divulgação do clube de simpatia desses árbitros, e que se podiam preparar durante todo o dia para arbitrar", disse.

"Só podemos fazer isso na I Liga e a II Liga é uma antecâmara. Não podemos querer colocar a bitola toda por baixo, os árbitros não podem ser tratados por igual porque os campeonatos não são iguais, há uma hierarquia. Para uma boa I Liga temos de ter um bom conjunto de árbitros profissionais a tempo inteiro", considerou.

O presidente da LPFP disse também que "os árbitros já são profissionais, porque já auferem uma remuneração de tal maneira elevada que hoje em dia é apetecível por muita gente, mesmo que o tenha de fazer em concurso com outra profissão". Para o dirigente, a questão que se coloca é "se deve ser uma profissão em exclusividade de funções", que obrigará a uma posição governamental sobre as pensões no final da carreira, por "ser uma actividade de desgaste rápido e de acabar cedo".

Além disso, Mário Figueiredo defende ainda alterações nas observações - introduzindo padrões de exigência iguais em todos os jogos -, e nas nomeações, "que têm sido um desastre" e "têm de ser feitas com antecedência"

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