O segundo bónus de Degenkolb e a marca de Rodríguez

Degenkolb ganhou a sua terceira etapa na Vuelta deste ano Foto: Jose Jordan/AFP

Em 2010 foi Mark Cavendish (12.ª, 13.ª e 18.ª etapas), em 2011 Peter Sagan (6.ª, 12.ª e 21.ª), este ano John Degenkolb (2.ª, 5.ª e 7.ª). Estes são os exemplos mais recentes de ciclistas que fizeram um "hat-trick" em etapas da Vuelta. O alemão da Argos-Shimano voltou nesta sexta-feira a impor-se ao "sprint" para conquistar a sua terceira tirada na presente edição. Ele, que se estreara a vencer uma etapa na prova espanhola há menos de uma semana.

Se a quantidade de vezes que se corta a meta em primeiro lugar tivesse um peso decisivo na classificação final, Degenkolb teria motivos para estar confiante. Mas a verdade é que o ciclista de 23 anos que em 2011 corria na HTC-Highroad nunca passou de um dos muitos figurantes desta Volta a Espanha. E o facto de já ter três etapas na bagagem é razão mais do que suficiente para alimentar o sentimento de dever cumprido. Pode ser apenas o 132.º classificado da geral (a 38,15m do líder), mas já deixou marca nesta edição. “Depois da primeira vitória, tudo o resto tem sido um bónus e torna-se mais fácil sofrer”, assumiu.

Lá na frente, porém, os protagonistas são outros. E a Joaquím “Purito” Rodríguez (Katusha), Christopher Froome (Sky) e Alberto Contador (Saxo Bank) só não se junta o colombiano Rigoberto Uran porque foi vítima de uma queda, a cerca de 10km da meta, que lhe custou um atraso de 1m10s e o atirou para o 15.º posto da geral.

Uran partirá, assim, em desvantagem para a etapa de sábado, com Rodríguez (o camisola vermelha) à distância de 2m09s. O líder da geral, de resto, já revelou que tem a 8.ª etapa “marcada” no seu calendário e esse pode ser um indicador preocupante para os adversários. É que da última vez que o ciclista da Katusha lançou um aviso deste teor, acabou com a etapa na mão. “Amanhã é a primeira chegada realmente dura. É muito difícil. Vivo perto e conheço muito bem o traçado”, avisou, em declarações reproduzidas pela agência Efe.

“Calor insuportável”

Na prática, serão 174,7km entre Lleida e Collado de la Gallina, em Andorra, com a meta colocada a 1550m de altitude. “É uma etapa em que podem destacar-se alguns [dos favoritos], incluindo eu”, anotou Alberto Contador, que num exercício de autoavaliação atribui à sua prestação até à data uma nota positiva. “O contra-relógio saiu-me bem e em Arrate e Valdezcaray tivemos boa nota. Em Jaca foi diferente, senti cãibras que me fizeram perder segundos. Era uma etapa para ‘Purito’ e não estive no sítio certo”, reconheceu o madrileno, que procura nesta Vuelta a redenção depois do calvário imposto pelo caso de doping pós-Tour.

Para isso, não é apenas o compatriota que terá de ter em mente, mas também Froome. O queniano de nacionalidade britânica tem mostrado uma forma semelhante à que apresentou no Tour (prova em que conduziu o compatriota Bradley Wiggins ao triunfo) e promete luta renhida até final: “É um grande corredor, que sabe o que quer”, atalha Contador, que, tal como todos os outros ciclistas do pelotão, teve nas elevadas temperaturas que se fizeram sentir um obstáculo extra.

“Este calor torna-se insuportável. Sempre que nos aproximamos do carro da equipa e sentimos o ar condicionado a vir lá de dentro sentimos inveja”, descreveu Joaquím Rodríguez, já depois de ter comido meio prato de arroz e tomate frito para recuperar do esforço de uma etapa “muito nervosa, muito tensa”.

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