O novo look de Sergio Ramos ou as fotos do dia de folga de Andrés Iniesta, companheiros na selecção espanhola. As músicas que Florent Malouda (França) anda a ouvir. E o avançado inglês Jermaine Defoe a chegar ao treino.
Tudo isto (e muito mais) continuará a passar pela rede social Twitter durante o Campeonato da Europa. A Espanha recuou ontem na proibição imposta aos jogadores, que estavam impedidos de utilizar as redes sociais durante a prova. Aos internacionais franceses foi pedida "precaução", enquanto a Federação inglesa não deu directivas específicas, uma vez que poucos dos seus jogadores são utilizadores activos do Twitter. Mas esta rede social na Internet faz parte da vida de muitos desportistas e torna-se necessário aprender a lidar com ela.
"Não nos foi pedida moderação, mas sim precaução com comentários que pudessem afectar colegas de equipa ou a vida da selecção", explicou Malouda à agência AFP. "Tenho uma conta [no Twitter] e quase nunca falo sobre futebol. Podemos falar de nós próprios, mas sem entrar na intimidade dos outros. Mas [as redes sociais] não estão interditas", acrescentou o jogador.
O levantamento da proibição na equipa espanhola foi celebrado por alguns dos mais activos no Twitter: "Boa tarde a tod@s. Afinal vou continuar a informar-vos das minhas coisitas por aqui e assim saberão das sensações que vamos tendo durante o Euro", escreveu Sergio Ramos. "Boas notícias! Afinal poderemos utilizar as redes sociais, por isso estaremos em contacto durante o Europeu! Vemo-nos por aqui!", publicou Cesc Fàbregas. Ao contrário do que sucedeu no Mundial 2010, e como era vontade de Vicente del Bosque, a roja não estará blindada durante o Europeu.
"O Twitter é um elemento permanente do firmamento desportivo", escrevia Jon Wertheim no ano passado, na revista americana Sports Illustrated. Mas nem todos o entendem assim. A selecção dinamarquesa - adversária de Portugal no Grupo B - baniu a rede social durante o Euro 2012. "Há tanta comunicação durante a prova que quisemos limitá-la aos encontros com os media", explicou Lars Berendt, assessor da Federação. As críticas não se fizeram esperar: "Não concordo, mas respeitarei a decisão. Seria bom para os jogadores poderem expressar os seus pensamentos", apontou o avançado Nicklas Bentner. Até o ministro da Cultura, Uffe Elbaek, se manifestou contra, questionando uma eventual violação da liberdade de expressão.
O assunto foi mais ou menos pacífico em várias outras equipas. "Na era dos novos media, é praticamente impossível proibi-los", admitiu o director-geral da selecção alemã, Oliver Bierhoff. O seleccionador Joachim Löw admitiu, em entrevista ao Die Zeit, ter estabelecido "regras claras" relativamente à utilização de redes sociais. "A vida do balneário, o conteúdo das discussões da equipa, a táctica, as lesões e por aí adiante são tabus. Assim como a vida privada dos companheiros de equipa", enumerou o técnico. Condições idênticas foram impostas aos jogadores irlandeses por Giovanni Trapattoni.
Na selecção russa, não haverá constrangimentos: "Não vou proibir nada. Cada um é responsável pelo que escreve e diz", vincou o seleccionador Dick Advocaat.
Essa responsabilidade não se reflecte apenas em termos internos, mas também perante a UEFA. "Não limitamos a liberdade de expressão, cada equipa fixa os seus limites", explicou o director de comunicação do organismo que tutela o futebol europeu, Alexandre Fourtoy, à agência AFP. Mas acrescentou: "Se um jogador usar o Twitter para insultar um árbitro, será como se o tivesse feito perante a imprensa. Ficará exposto a procedimentos disciplinares."

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