Nem o duelo do Minho maquilhou a diferença que separa os dois rivais

Hugo Viana marcou o segundo golo do Sporting de Braga Foto: Reuters (arquivo).

O Sporting de Braga voltou a vencer em casa do seu principal rival (0-2), algo que não acontecia há sete anos. Nem o equilíbrio habitual em duelos regionais como o desta noite no Minho conseguiu disfarçar a diferença que hoje separa os dois emblemas. De um lado, o plantel de Liga dos Campeões dos bracarenses, do outro, um Vitória em reconstrução devido à grave crise financeira que atravessa.

E a formação bracarense nem precisou de forçar muito o andamento. Bastou um golo para selar o sexto triunfo do Sp. Braga em Guimarães ao longo de toda a história, algo que tinha acontecido pela última vez em 2005-06, com Jesualdo Ferreira.

Éder, aos 55’, começou a desenhar o triunfo. O ponta-de-lança concluiu à boca da baliza um lance criado por Alan que, na esquerda, fez o que quis do adversário, cruzando depois com precisão. O Sp. Braga concretizava no início da segunda parte o ascendente com que tinha regressado do intervalo. E fixaria o resultado final já perto dos 90’, por Hugo Viana.

Se os visitantes foram mais eficazes na segunda parte, os 45 minutos anteriores tinham sido pouco interessantes, com as duas equipas mais preocupadas em não cometer erros. As cautelas levaram a que a primeira grande oportunidade de golo tenha surgido apenas aos 18’, numa boa iniciativa do ataque vimaranense, que fez a bola rodar da direita para a esquerda, onde o lateral Addy apareceu a cruzar para o interior da área. Entre os defesas do Sp. Braga, Ricardo desviou a bola, mas esta saiu ligeiramente por cima.

Os bracarenses responderam à primeira tentativa da equipa da casa dois minutos depois, com um remate de Mossoró, por cima da baliza. No lance seguinte, Hélder Barbosa falhou o remate, mas, à meia-hora, o guarda-redes Douglas ia estragando a pintura. Mostrou demasiada passividade perante Éder e rematou contra o avançado, com a bola a pingar sobre a linha, mas conseguiu emendar a tempo, evitando o golo.

O Guimarães tremeu. João Gonçalves também falhou pouco depois (39’) num que quase dava golo. Na sequência, a bola sobrou para a entrada da área, onde Mossoró apareceu em boa posição, sendo derrubado por El Adoua. O árbitro assinalou livre, mas ficou a sensação de a infracção já ter sido cometida dentro da grande área.

Depois do intervalo, o Sp. Braga surgiu melhor e chegou cedo ao golo. O Vitória foi obrigado a ir à procura do empate, mas sem grande qualidade. Rui Vitória demorou dez minutos a mexer na equipa — trocou um médio defensivo (Olímpio) por um médio de ataque (Tiago Rodrigues, jogador da equipa B) —, mas não teve sucesso com as mexidas. Em vez de ser a equipa da casa a criar mais lances de perigo, continuou a ser o Sp. Braga a ter as melhores oportunidades, especialmente no contra-ataque. E foi num desses lances que acabou com a partida, graças a um remate perfeito de Hugo Viana (86’).

POSITIVO
Alan Aos 33 anos, continua a ter classe e clarividência suficientes para ser o principal municiador do ataque da equipa. Ontem, foi dos seus pés que saiu o lance do primeiro golo bracarense.

Éder O ponta-de-lança fez o seu terceiro golo em dois jogos e lutou muito na frente de ataque, mesmo na pior fase da sua equipa. Está a assumir-se como um goleador português a ter em conta, começando a fazer esquecer Lima.

NEGATIVO
V. Guimarães Mesmo mergulhado numa grave crise e com um plantel muito jovem e inexperiente, esperava-se mais da equipa vimaranense num duelo regional com uma história que lhe é favorável no D. Afonso Henriques. Enquanto o jogo foi lento, ainda disfarçou debilidades, mas depois foi incapaz sequer de reagir ao golo sofrido. Rui Vitória também não foi feliz a mexer na equipa e entregou, cedo de mais, o triunfo ao adversário.

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