Opinião

Final da Champions League, o apogeu da rivalidade

São os finalistas da Champions League desta temporada e, desde há algum tempo, são também protagonistas de uma rixa sem precedência. O Bayern Munique e o Borussia Dortmund evidenciaram-se de forma categórica nas meias-finais (bateram os espanhóis do Barcelona e do Real Madrid) e são rivais de longa data. Assistir-se-á ao clímax das disputas entre os mais notáveis competidores do futebol alemão. É o que acontece quando estes são consistentemente os dois melhores clubes na Bundesliga.

Há umas semanas defrontaram-se, já com o campeonato resolvido, e apesar de não fazerem alinhar alguns dos principais elementos, a partida foi muito disputada, tal como afirmou o presidente do Borussia, Hans-Joachim Watzke: “Quem pensou que poderia ser um jogo amigável, não conhece o Borussia Dortmund nem o Bayern Munique”. A este propósito, e lançando já uma mirada à final de Wembley, Neuer, o gigante guarda-redes dos bávaros, disse: “Um jogo contra o Dortmund, seja onde for, nunca é um jogo amigável. É um duelo olhos nos olhos, com 50% de possibilidades para cada equipa, e é o que esperamos na final da Champions League”.

O Bayern atual é uma constelação treinada por Jupp Heynckes e, depois de ter batido o Borussia na final da Supertaça em Agosto passado, partiu para uma temporada até agora recheada de sucessos. Preparam-se para disputar o jogo de Wembley e têm lugar reservado para a final da Taça da Alemanha. Em perspetiva uma época 2012-13 memorável...

O Borussia é uma equipa emocionante, tem jovens jogadores de elevado potencial, e é treinada pelo enigmático Jürgen Klopp, que foi mencionado como possível sucessor de sir Alex Ferguson e também de José Mourinho. Nas duas últimas temporadas foi bicampeão. Na época passada bateu os bávaros nos dois confrontos domésticos e alcançou um recorde de 81 pontos. Além disso, venceu-os 5-2 na final da Taça da Alemanha, desmoralizando os seus oponentes para o grande embate da edição da Champions do ano passado, que acabaram por perder frente ao Chelsea no seu próprio Allianz Arena.

Como consequência, sentindo a sua hegemonia no futebol alemão a fugir-lhe e a serem derrotados por três vezes nas derradeiras finais da Liga dos Campeões, investiram à volta de 70 milhões de euros em contratações (Martínez, Dante, Mandzukic, Shaqiri...) e entraram nesta época mais fortes que nunca. A competição entre estes clubes tem vindo a aumentar desde a mudança de Hitzfeld de Dortmund para a Bavária, o primeiro exemplo significativo da disputa entre os dois clubes também fora do terreno de jogo. Este ano, imediatamente antes das meias-finais da Champions, sem comunicar ao Borussia, contrataram o jovem criativo Mario Götze, o que originou uma convulsão no seio do Dortmund, levando à ira dos adeptos, e agora especula-se que Lewandowski, o polaco goleador do Borussia, se poderá vir a juntar-se ao plantel dos bávaros... A rivalidade entre estes alemães atingiu o apogeu!

Em relação à final de Wembley, prevê-se um jogo equilibrado entre duas equipas ofensivas, embora uma mais em ataque posicional (Bayern) e a outra apostando mais nas transições (Borussia). São ambas equipas extremamente compactas e equilibradas em todos os momentos do fluxo de jogo. Com sistemas táticos similares (4-2-3-1), apresentarão uma linha defensiva a quatro, mas com a particularidade dos laterais bávaros serem mais ofensivos e de Dante se destacar dos restantes centrais, por assumir um papel mais positivo na construção de jogo.

No meio-campo as duas equipas adotam um duplo pivot, mas com dinâmicas diferentes. O Borussia apresenta normalmente um elemento mais posicional à frente dos centrais (Bender), dando mais autonomia a Gundogan para se aventurar no apoio ao ataque. Em relação ao Bayern, mais liberdade aos seus médios, projetando sempre um na profundidade e aclarando mais aquela zona de passagem do jogo da primeira para a segunda fase de construção. No ataque são ambas muito fortes e fazem da sua mobilidade, velocidade, criatividade e capacidade de remate os fatores-chave do seu jogo ofensivo.

Em Wembley, luta-se pela hegemonia e pelo orgulho. O Bayern tem sido incomodado pelo sucesso desportivo do Borussia Dortmund nas últimas temporadas, e pretende pôr cobro a qualquer repto à sua superioridade de longo termo, seja no mercado de transferências, seja no campo. Do outro lado, o Borussia vai querer manter-se no topo, contrariando o poderio financeiro e a história dos bávaros.

* Artigo publicado respeitando a norma ortográfica escolhida pelo autor
 

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