FC Porto discorda da intenção de proibir terceiros de terem passes de jogadores

"Injusta e excessiva" é como os "dragões" qualificam a hipótese de a UEFA não aceitar a partilha dos direitos desportivos dos futebolistas.

O Fc Porto não concorda com a UEFA João Guilherme

O director de Assuntos Jurídicos do Porto, Daniel Lorenz, afirmou nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, que a tentativa dos dirigentes da UEFA de banir a propriedade de direitos desportivos por terceiros é “injusta” e “excessiva”.

“Se uma discussão maior for feita, chegar-se-á à conclusão de que essa medida é injusta e excessiva. Acho que todos os clubes, não só portugueses, mas também de Espanha e Holanda, que dependem de direitos económicos, precisam convencer a UEFA a fazer uma coisa que não fez, que é discutir o assunto com maior profundidade, esclarecer com todos os agentes de futebol do que se trata e porque se pretende essa discussão”, afirmou o representante do FC Porto.

Lorenz ressaltou ainda que a situação económica de alguns dos clubes é complicada e mais do que antes se faz necessário recorrer a outras alternativas para que o clube seja competitivo internacionalmente.

“Na Europa, estamos a atravessar uma grande crise, as operadoras televisivas já não pagam o que pagavam, os clubes ressentem-se disso, mesmo as bilheteiras. É necessário, além de uma boa gestão, também recorrer às mais diversas ferramentas para que um clube seja competitivo e isso significa muitas vezes ter um investidor que ajuda a comprar um bom jogador”, completou.

Lorenz destacou ainda a opinião manifestada pelo representante jurídico da FIFA no evento, Omar Ongaro, que esclareceu que a instituição ainda está “longe” de tomar uma decisão sobre o assunto e que sua prioridade é garantir a não intervenção da terceira parte em decisões do clube, mas não de impedir a sua existência.

“Gostei muito de ouvir o Omar, que nos esclareceu que o comunicado que foi emitido pela FIFA no dia 16 de Novembro deste mês não corresponde a uma realidade, que a FIFA está longe de decidir banir os direitos económicos”, disse.

Para o representante do FC Porto, o trabalho feito pela FIFA é válido no sentido de garantir a transparência das actividades dos clubes.

“O que a FIFA faz, ao meu ver, correctamente e bem, é condicionar a decisão dos direitos económicos, ou seja, não permitir que um investidor que tenha uma certa percentagem numa receita futura de um atleta, ele próprio influencie na política de transparência de um clube”, concluiu.

Lonrez participou nesta terça-feira da mesa “Propriedade do passe de jogadores e transferências internacionais” no evento Soccorex, no Rio de Janeiro.     

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