A Grécia vai estar, neste fim-de-semana, de respiração suspensa. Amanhã, num dos dias mais importantes da história recente do país, os gregos são novamente chamados às urnas, para tentar eleger um Parlamento que proporcione a formação de um Governo. Mas antes do confronto entre os conservadores da Nova Democracia e os esquerdistas do Syriza, há um outro duelo, hoje, em Varsóvia, que vai deixar os helénicos com o coração nas mãos: Grécia-Rússia. O seleccionador Fernando Santos não tem dúvidas de que o desempenho da sua selecção terá influência no resultado das eleições.
O comportamento da Grécia no Euro 2012 tem sido quase tão caótica como o estado da economia do país. No jogo de estreia (1-1 com a Polónia), os helénicos perderam os dois defesas-centrais na primeira parte (um lesionado, outro expulso), o capitão Karagounis falhou um penálti na segunda e, no final, os gregos deixaram escapar uma vitória que seria merecida. Depois, contra a Rep. Checa, a equipa treinada por Santos sofreu dois golos nos primeiros seis minutos — um novo recorde na prova — e, apesar da boa resposta, não evitou a derrota (2-1). Agora, chegar aos quartos-de-final para os gregos é uma tarefa quase tão difícil como formar um Governo no país — a vitória contra a Rússia é obrigatória, mas pode não chegar.
Fernando Santos garante que a preparação da sua equipa para o Euro 2012 não foi afectado pela instabilidade que se vive na Grécia, mas reconhece que “há uma preocupação clara” na comitiva helénica sobre o que se vai passar amanhã: “Há uma grande expectativa e as pessoas estão preocupadas com o que se vai passar nas eleições. Nesta selecção, à excepção do treinador principal, são todos gregos. São 40 pessoas, o que multiplicado pelas respectivas famílias dá muita gente. Não afecta, mas é motivo de conversas diárias.”
O técnico recorda que “os jogadores, antes de serem atletas, são homens e chefes de família” e que, mesmo longe da Grécia, “todos os dias lêem jornais e vêem como estão as sondagens”. “Hoje em dia, com a Internet, é muito fácil ter acesso a tudo”, acrescenta. A prova, salienta, está a ser vivida na Grécia com “muita intensidade” e ajuda a que “não haja uma carga tão negativa” na sociedade. “Espero que a selecção consiga ajudar, mas os gregos estão a pensar nas eleições. Têm de pensar”, sublinha Fernando Santos em declarações ao PÚBLICO.
Para o treinador português, “seguramente” que a prestação grega neste Euro vai “influenciar as eleições”: “Se a Grécia conseguir o apuramento, como eu espero e desejo que consiga, quase de certeza que vamos ajudar muito.” Em que sentido? Aí, Santos prefere jogar à defesa, porque teria de “olhar para isto pelo lado político”. “Esta eleição será diferente e está marcada por outra que foi ganha sem maioria, que conduziu a esta nova eleição. Esta será uma eleição totalmente diferente, muito marcada por contornos políticos”, refere.
Conhecedor da realidade grega, Santos considera que “é muito difícil prever o que vai acontecer”, mas adianta que as sondagens mostram “o que é a leitura do povo”: “Há muita gente que não quer sair do euro, mas a maioria quer que alguma coisa seja feita. Não só querem uma mudança, como também desejam uma renegociação. O desemprego é preocupante, as pessoas estão a sentir isso na pele e querem que se faça alguma coisa.”

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