Coincidências existem. E o que se perspectiva em São Paulo talvez seja uma imensa coincidência. Por enquanto, o que se sabe é que na mesma semana em que a empresa Ambev anunciou um investimento de 35 milhões de reais (cerca de 12,8 milhões de euros) na construção de bancadas provisórias no Estádio do Itaquerão, em São Paulo, o governo daquele estado brasileiro enviou um projecto de lei à Assembleia Legislativa propondo a liberalização do consumo de cerveja durante o Mundial 2014. Só que a Ambev, para além de ser patrocinadora da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), é também dona da marca de cerveja Budweiser, que será a cerveja oficial do evento.
Segundo o jornal brasileiro Folha de São Paulo, a empresa disse que investirá na obra a pedido do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Mas tanto a Ambev como o governo estadual negam qualquer relação entre o financiamento à construção das bancadas e a proposta de liberalização do consumo de cerveja no recinto paulista durante o Mundial de futebol.
A venda de bebidas alcoólicas nos eventos da FIFA que se vão realizar no Brasil já havia sido aprovada por uma alteração no estatuto do torcedor feita pela designada Lei Geral da Copa e sancionada, em Junho, pela presidente Dilma Rousseff. Mas ficou pendente a legalização do consumo nos estados onde a prática é proibida por lei local, como ocorre em São Paulo - desde 1996.
Geraldo Alckmin, que procurou a Ambev no início do ano para convencê-la a construir as bancadas que aumentam em 20 mil lugares a lotação do Itaquerão - permitindo assim que a capacidade do estádio do Corinthians suba de 47 mil lugares para 67 mil e São Paulo garanta o estatuto de cidade sede do jogo de abertura do Mundial 2014 - sempre foi contra a legalização do consumo de bebidas alcoólicas nos estádios.
Ainda segundo a Folha, em Março, no Congresso brasileiro, o PSDB, partido a que pertence Alckmin, foi contra a liberação. "É um retrocesso em relação à luta pela paz nos estádios", disse então o deputado Jutahy Júnior.

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