Cardiff e Swansea nunca jogaram na Liga de Gales

Pela primeira vez na história, duas equipas galesas vão jogar na I Divisão do futebol inglês.

A festa da promoção à Premier League dos jogadores do Cardiff DR

O País de Gales está cotado como uma das mais fracas nações futebolísticas da Europa. No ranking da UEFA, Gales está apenas no 48.º lugar em 53 países, tendo atrás de si Estónia, Arménia, Ilhas Feroé, San Marino e Andorra. É raro ver Gales nas grandes competições de futebol, mas, na próxima época, vai ter duas equipas no mais mediático dos campeonatos, a Premier League inglesa. Depois do Swansea ter lá chegado em 2011, agora foi o Cardiff a garantir um lugar no escalão máximo do futebol inglês.

A próxima época será, então, uma época de sonho para um território que até tem produzido alguns grandes jogadores (Ryan Giggs é o maior exemplo, mas também podemos citar Gareth Bale, Ian Rush, Gary Speed ou Mark Hughes) mas cuja visibilidade internacional no mundo do futebol é pouco mais que nula – sem resultados de registo nas competições europeias e apenas uma presença em Mundiais, em 1958.

Se Swansea e Cardiff vão, pela primeira vez, competir em simultâneo no topo do futebol britânico, nunca jogaram na Liga de Gales. Ela foi criada em 1992 e todos os clubes galeses foram convidados a integrá-la. Só que seis recusaram, entre os quais o Swansea e o Cardiff.

Até ao início dos anos 1990, todas as equipas galesas estavam integradas no campeonato inglês e já nesta altura eram o Cardiff e o Swansea as mais representativas do território. Ambas estiveram durante alguns anos na I Divisão (sem nunca terem coincidido) e o Cardiff continua a ser, até hoje, a única equipa não inglesa a vencer a Taça de Inglaterra – foi em 1927, batendo na final o Arsenal por 1-0; este ano, o Swansea conquistou a Taça da Liga, goleando o Bradford por 5-0 e já tem presença garantida na Liga Europa em 2013-14.

Até chegarem à Premier League, os dois rivais andaram em constante sobe e desce nos escalões inferiores, chegando ambos a coincidir na IV Divisão durante várias épocas – a última foi a de 1997-98. Voltaram a encontrar-se 11 anos depois, desta vez na II Divisão. Em 2009-10, com o português Paulo Sousa a treinador, o Swansea falhou os play-off de promoção por um ponto, mas, na época seguinte garantiu o regresso à I Divisão depois de lá ter estado pela última vez em 1983.

Na Premier League, os swans, na altura comandados por Brendan Rodgers, não foram os bombos da festa como se esperava, tornando o Liberty Stadium num dos campos mais difíceis da Liga (Liverpool, Manchester City e Arsenal foram lá derrotados) e terminaram num digno 11.º posto. Na segunda época de topo, com Michael Laudrup no banco, o Swansea consolidou a sua posição, seguindo num tranquilo nono posto.

Já o Cardiff demorou mais tempo a chegar à Premier League e só com a entrada de um investidor da Malásia fortaleceu-se o suficiente para estar de novo no topo, mas com custos pesados em termos financeiros: o clube teve um prejuízo de 16 milhões de euros em 2012 e apresenta um passivo a rondar os 100 milhões. Mas o investimento compensou.

Para o veterano avançado Craig Bellamy, natural de Cardiff e apenas um dos três jogadores galeses da equipa, o sonho já foi cumprido. Por razões afectivas, claro: “É fantástico partilhar isto com as pessoas que amo e, em especial, com o meu pai, depois das dores de cabeça que ele tinha a ver o Cardiff todos estes anos. Perdi a conta aos jogos que vi com ele e em que saímos dez minutos antes do fim, dizendo que nunca mais voltaria lá. E, no sábado seguinte, lá estávamos nós outra vez.”

* Planisférico é uma rubrica semanal sobre histórias e campeonatos de futebol periféricos

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