A primeira final europeia de Jorge Jesus será a nona para o Benfica

Equipa de Jorge Jesus venceu Fenerbahçe por 3-1 e estará pela nona vez na luta por um título europeu. Chelsea será o adversário.

Vinte e três anos depois, o Benfica está na final de uma competição europeia. A última vez havia sido em 1990, ano em que foi derrotado pelo AC Milan em Viena, por 1-0, no jogo decisivo da Taça dos Campeões Europeus. O jogo de Amesterdão a 15 de Maio frente ao Chelsea será a nona presença dos “encarnados” em finais europeias (sete na Taça dos Campeões, uma na Taça UEFA e uma na Liga Europa) e a primeira de Jorge Jesus, que consegue lá chegar à segunda tentativa, depois de ter sido eliminado pelo Sporting de Braga há dois anos.

Depois de uma derrota por 1-0 em Istambul, o Benfica precisava de ganhar na Luz para estar quebrar um enguiço com 23 anos. E as coisas começaram a correr bem. Fruto de uma entrada pressionante, a equipa de Jorge Jesus empatou a eliminatória logo aos nove minutos de jogo, com Gaitán a finalizar, após um cruzamento de Lima.

Só que aos 22 minutos o árbitro assinalou penálti num lance em que Garay tocou a bola com a mão. O holandês Kuyt não desperdiçou e empatou o jogo (1-1), colocando outra vez os turcos em vantagem na eliminatória.

O golo do Fenerbahçe obrigava o Benfica a marcar por duas vezes para se apurar para a final de Amestersão. E a equipa de Jesus voltou a mostrar boa capacidade de reacção.

Ainda antes do intervalo, Cardozo fez o 2-1, com um remate à entrada da área (35’). Já na segunda parte, a equipa conseguiu o tão desejado golo do apuramento, outra vez por Cardozo (66’), após um lançamento de linha lateral. [Leia a crónica de jogo de Jorge Miguel Matias: a delícia de um banho turco]

No final do jogo, Jorge Jesus qualificou este apuramento como um marco desportivo, disse que acredita na vitória frente ao Chelsea na final, mas voltou já as atenções para o campeonato, em que a equipa benfiquista está perto do título.

Jesus, no entanto, não deixou de destacar o facto de há muitos anos o Benfica não estar nos grandes palcos europeus, aos quais regressará a 15 de Maio contra o Chelsea, que derrotou o Basileia (3-1)Será a segunda vez que o Benfica encontra uma equipa inglesa numa final. A primeira não foi de boa memória para os “encarnados”. A 29 de Maio de 1968, o Benfica orientado por Otto Glória encontrou-se com o Manchester United, em Londres, e, depois de ter aguentado o empate (1-1) no tempo regulamentar - Bobby Charlton marcou para o United aos 53’, Jaime Graça empatou aos 79’ -, não conseguiu resistir aos “red devils” no prolongamento, perdendo por 4-1, com golos de Best, Kidd e Charlton, naquele que foi o primeiro título de campeão europeu para os britânicos.

Os anos 1960 foram de ouro para o Benfica, com cinco presenças em finais. As duas primeiras resultaram em triunfos, que quebraram o domínio, até então total do Real Madrid. Primeiro, a 31 de Maio de 1961, os “encarnados” derrotaram o Barcelona em Berna, por 3-2, com golos de Águas, Coluna e um autogolo de Ramallets. 

Na época seguinte, em Amesterdão, o Benfica, já com Eusébio, conquistou o seu segundo título europeu frente ao Real Madrid, triunfando por 5-3. Os “merengues” estiveram a vencer por 2-0, com dois golos de Puskas, permitiram o empate, por Águas e Cavém, ainda recuperaram o comando do jogo, de novo por Puskas, mas Coluna nivelou o resultado e, depois, o “Pantera Negra” entrou em acção, marcando os dois golos do triunfo na capital holandesa.

Esse foi o último título europeu do Benfica. Os lisboetas voltam à final no ano seguinte, mas são derrotados pelo AC Milan em Wembley por 2-1. Em 1965, o Inter de Milão é o carrasco dos “encarnados”, triunfando por 1-0 em San Siro, seguindo-se, depois, a derrota em 1968 com o Manchester United. Depois disto, o Benfica regressa às finais na edição de 1983 da Taça UEFA, com triunfo do Anderlecht no conjunto das duas mãos - vitória belga por 1-0 em Bruxelas e empate 1-1 na Luz. Em 1988, o Benfica só caiu nos penáltis frente ao PSV Eindoven em Estugarda e, em 1990, um golo de Rijkaard deu o título ao AC Milan.

A final de Amesterdão será a 16.ª com presença de equipas portuguesas e permite ao Benfica subir ao sétimo lugar no ranking de equipas com mais presenças em finais europeias. Segundo a contabilidade da Lusa, só Barcelona (17), Real Madrid (16), Milan e Juventus (ambos com 14), Bayern Munique (12) e Liverpool (11) estiveram mais vezes do que os “encarnados” em jogos de atribuição de títulos europeus.

O apuramento do Benfica tem, por outro lado, um efeito prático para os clubes portugueses. Portugal garantiu o quinto lugar no ranking da UEFA, à frente da França, o que significa que em 2014-15 terá três representantes na Liga dos Campeões (dois com presença directa na fase de grupos e um que terá de jogar uma pré-eliminatória), tal como, aliás, acontecerá na próxima temporada.

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