“Antes de proibir fundos tem de se ver que consequências isso terá”

Presidente da Liga espanhola de Futebol Profissional pede reflexão sobre o tema.

O Atlético de Madrid é uma das equipas do campeonato espanhol que recorre a fundos Pedro Armestre/AFP

José Luis Astiazarán mostrou-se cauteloso sobre uma eventual proibição dos fundos de investimento no futebol.

Em declarações aos jornalistas, à margem do fórum sobre responsabilidade social do futebol profissional, organizado em Lisboa pela Associação das Ligas Europeias de Futebol Profissional, Astiazarán mostrou-se convicto que haverá uma solução do agrado de todos os envolvidos.

“Ainda não há informação de que a FIFA vá intervir nos fundos de investimento. Sabemos que está a estudar o assunto. Vamos ter uma reunião ao nível europeu nas próximas semanas para tratar desse tema”, disse.

“Há que analisar esta questão com objectividade e ver como ela afectará os países. Se a FIFA intervier haverá consequências na América Central e do Sul, que também trabalham com estes fundos de investimento”, acrescentou José Luis Astiazarán, não se mostrando preocupado com uma eventual perda de competitividade na Liga espanhola caso a proibição avance.

O tema tem estado no topo da actualidade, com a FIFA e a UEFA a estudarem uma eventual proibição. O secretário-geral da UEFA, Gianni Infantino, admitiu no início do ano que o organismo que gere o futebol europeu “vai certamente analisar” a possibilidade de proibir que jogadores cujos passes sejam detidos por terceiros participem nas suas competições.

Já o comité para o futebol da FIFA, liderado por Michel Platini, presidente da UEFA, solicitou neste mês de Novembro “a criação de regulamentos que proíbam a propriedade por parte de terceiros” dos passes dos jogadores. A proposta a submeter ao painel de especialistas deverá ser conhecida no próximo ano.

Na passada sexta-feira, o presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Mário Figueiredo, alertou para uma possível “tragédia” com a eventual proibição da partilha de passes de futebolistas. “Vão matar o futebol português tal como o conhecemos hoje em dia, com a competitividade actual e com a capacidade para formar jogadores”, disse na altura o dirigente.

O recurso a fundos de investimento para a aquisição de futebolistas é proibido em Inglaterra e França, mas tem vindo a ser crescentemente explorado em vários outros campeonatos. Esta prática é corrente em Portugal, nomeadamente por FC Porto, Benfica e Sporting.

Em Inglaterra, os fundos foram proibidos depois da polémica transferência de Carlos Tévez para o Manchester United e nos últimos meses os responsáveis ingleses têm feito pressão junto da UEFA e da FIFA para que este instrumento de financiamento seja proibido a nível europeu.

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