O título do PÚBLICO de Junho de 2008 foi: "A primeira vitória a cores da selecção espanhola." E o de Julho de 2010: "A campeã com menos golos e mais futebol." É por essas - e não por outras - que acho que desta vez a selecção espanhola não vai ganhar. Porque desta vez estou cá, não estou lá.
A 1 de Julho não estarei sentado na bancada de imprensa do Estádio Olímpico, em Kiev, ao contrário do que aconteceu em Viena, em 2008, e dois anos depois em Joanesburgo. Está, por isso, quebrado um dos talismãs de Espanha, um amuleto tão valioso como calçar aquelas meias horríveis no dia da final ou uma superstição tão fiável como soprar uma vuvuzela sempre que Iniesta transporta a bola.
Despedi-me da selecção espanhola em pleno Soccer City. Foi a última vez que os vi sem os constrangimentos de um ecrã de televisão. Eles jogaram e ganharam como sempre. Eu terminei a crónica de jogo com duas linhas ("Todo o mundo viu. História.") e dei duas dentadas numa sandes antes de começar a galgar pequenos muros da bancada para chegar ao relvado, onde os jogadores espanhóis, génios solidários, tinham festejado a conquista do Mundial que juntaram à conquista do Europeu.
Entre três ou quatro fotografias encontrei um saco de plástico, onde repousava uma camisola exausta, suada. Tinha gravados o número 11 e o nome Capdevila, jogador espanhol que tinha autografado e dedicado a sua roja a "Maria Segurola".
Já em Portugal, telefonei a Santiago Segurola, director adjunto do jornal Marca:
- Conheces um tal de Capdevila?
- E Maria Segurola, diz-te algo?
Respondeu duas vezes "sim", embalei a camisola, que amanhã deve servir de amuleto na casa dos Segurola.
Infelizmente temo que não seja suficiente.

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