100 dias para os Jogos Olímpicos

Cerca de 80 atletas portugueses deverão estar nos Jogos de Londres. Entre eles não estarão Nélson Évora nem Vanessa Fernandes, os medalhados nacionais há quatro anos, em Pequim. Também por isso, as perspectivas de pódios são reduzidas

Portugal conquistou duas medalhas nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. Quatro anos depois, nem Nélson Évora, medalha de ouro no triplo-salto, nem Vanessa Fernandes, prata no triatlo, estarão em Londres. Sem dois dos seus atletas de topo, é difícil prever o que a comitiva portuguesa poderá fazer em termos de classificações de pódio. Hoje, a 100 dias da abertura dos Jogos, que vão decorrer entre 27 de Julho e 12 de Agosto, Portugal já tem 57 atletas/vagas garantidos para os Jogos e ainda há muitas provas de qualificação pela frente, podendo a comitiva chegar aos 80 atletas, pouco mais do que os 77 que foram a Pequim.

A diferença do anterior para este ciclo olímpico, diz Vicente Moura, presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), é que as coisas estão mais adiantadas, mas as perspectivas de resultados não são tão optimistas. "Vamos tendo cada vez mais atletas qualificados e espero levar um grupo perto dos 80, próximo do de Pequim. Estamos mais avançados. Face há quatro anos, temos mais 16, 17 atletas. Mas em Pequim tínhamos 12 atletas que eram campeões mundiais ou europeus e, neste momento, temos um, o João Pina [no judo], que está lesionado", explica ao PÚBLICO o presidente do COP, que sente apenas um "optimismo moderado" quanto à perspectiva de medalhas portuguesas em Londres - uma projecção da empresa holandesa de estatística Infostrada dá uma medalha de prata a Portugal em Londres, de Telma Monteiro, no judo.

Para já, oficialmente, Portugal tem 57 atletas em dez modalidades diferentes, mas nesta lista não estão ainda integrados desportos que irão ter atletas a competir, como o judo ou o triatlo e em que o apuramento depende de rankings - nestes dois desportos são esperados, pelo menos, a presença de João Pina, Joana Ramos e Telma Monteiro no judo, e de João Silva e Bruno Pais no triatlo, sendo que Portugal está bem encaminhado para ter três elementos na prova masculina.

Certo é que a comitiva nacional em Londres não será a maior de sempre em Jogos Olímpicos, nem sequer a mais distribuída por diferentes modalidades. O recorde deverá continuar a pertencer ao grupo que esteve nos Jogos de Atlanta em 1996, com 107 atletas em 18 desportos. O mínimo de participação portuguesa é de apenas seis atletas, em duas ocasiões, em Estocolmo 1912 e Los Angeles 1932.

O processo de selecção e apuramento ainda é longo. Na natação, por exemplo, Portugal tem três atletas com mínimos (Diogo Carvalho, Sara Oliveira e Carlos Almeida), sendo que os Europeus de Debrecen, em Maio, serão a prova de eleição para mais portugueses se apurarem. Dos três com marcas, apenas Carvalho tem mínimos A e o único que tem vaga assegurada, enquanto os outros dois (com mínimos COP) esperam que a Federação Internacional de Natação (FINA) divulgue as listas finais de participação a 18 de Junho, já que, pela primeira vez, a FINA instaurou uma quota de participação total de 900 nadadores.

Paulo Frischknecht, presidente da Federação Portuguesa de Natação (FPN), espera, pelo menos, seis portugueses a nadar em Londres. "Queremos apurar atletas para competir e não apenas para participar", considera o líder da FPN, relembrando que a melhor participação individual de um atleta português nas piscinas dos Jogos foi a de Alexandre Yokochi, sétimo na final dos 200m bruços, em Los Angeles 1984, onde estiveram apenas dois nadadores - em Pequim 2008 foram dez e nenhum chegou às meias-finais.

A maior comitiva será a do atletismo, mas sem aquela que foi a sua "estrela" em 2008, Nélson Évora, que se lesionou em Janeiro deste ano, durante um treino. Para já, são 30 atletas com mínimos. O saltador do Benfica é um deles, mas é certo que não irá; Portugal tem também quatro atletas com mínimos A nos 20km marcha femininos, mas só poderão ir três. O atletismo também terá um importante momento de apuramento em Junho, com os Europeus de Helsínquia.

Outra comitiva numerosa será a da vela. São 11 atletas, o que iguala o número de Roma 1960, um número elevado para uma modalidade que teve uma preparação olímpica atribulada. A federação teve o seu estatuto de utilidade pública suspenso pelo Governo por não adequar os seus estatutos ao novo Regime Jurídico das Federações e deixou de receber dinheiros públicos.

Obras 95% prontas

A 100 dias dos Jogos, ainda é difícil imaginar milhares de pessoas a passear no Parque Olímpico de Londres, que concentra boa parte das infra-estruturas dos Jogos, incluindo o Estádio Olímpico, a Aldeia dos Atletas e os enormes edifícios destinados a receber os cerca de 20 mil jornalistas acreditados para o evento. Por enquanto, aquele espaço com uma área de 2,5 quilómetros quadrados (o equivalente a Hyde Park, um enorme jardim no centro de Londres), parece um estaleiro, apesar de a organização estimar que 95% da obra já está feita.

O que está à vista é uma zona de pó, andaimes e tapumes, e a circulação no espaço é muito limitada, sinal de que ainda não acabaram os trabalhos de reconversão desta zona onde antes se aglomeravam edifícios degradados e lixeiras. Mas vai estar tudo pronto em Maio, cerca de dois meses antes do início dos Jogos, sendo que todas as infra-estruturas desportivas e de apoio já estão de pé e prontas a usar. O orçamento do projecto ascendeu a cerca de 10,9 mil milhões de euros financiado com dinheiros públicos, dos quais 9,7 mil milhões para as infra-estruturas, mas a organização estima que o custo final das obras fique pelos 8,7 mil milhões.

No centro, o imponente Estádio Olímpico, com capacidade para 80 mil espectadores, mas que poderá descer até aos 25 mil consoante a utilização que irá ter após os Jogos - pode ser reconvertido em estádio de futebol, com West Ham United e Tottenham na corrida, ou em estádio de râguebi, podendo ainda ser utilizado com pista de atletismo.

Mesmo ao lado, a Aldeia dos Atletas, com capacidade para 18 mil pessoas, terá uma filosofia diferente da que era, por exemplo, a de Atenas. Uma área menor e mais construção em altura, mas com valências que permitem aos atletas treinarem-se. Os espectadores também não foram esquecidos e aqueles que não conseguirem entrar nos recintos podem ficar fora, nas margens do curso de água que atravessa o espaço e ver as provas em enormes televisores flutuantes.

Comentários

Os comentários a este artigo estão fechados. Saiba porquê.

Nos Blogues