Vinte anos depois

Já que tinha de haver uma sequela do Dia da Indepedência, podiam ao menos arranjar algo mais interessante do que esta catástrofe derivativa.

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Em O Dia da Independência: Nova Ameaça há pelo menos uma ideia boa (mas desaproveitada)

Mais um exemplo, e este grave, dos tiros que uma Hollywood em busca do máximo denominador comum dá no pé. Não havia grande razão para fazer uma sequela do Dia da Independência original – a não ser a vontade da Fox de reactivar o franchise e a do realizador Roland Emmerich de recuperar um pouco do estatuto perdido depois de filmes catástrofe (em todos os sentidos da palavra) como 10,000 A. C. ou 2012. Há pelo menos uma ideia boa (mas desaproveitada) no ponto de partida desta continuação: coincidindo com o aniversário da estreia do original, o novo filme passa-se vinte anos depois, numa Terra de ficção-científica que integrou as lições da invasão alienígena e a sua tecnologia para se proteger de futuras invasões.

Como veremos, não serve de muito, porque desta vez os extra-terrestres vêm com uma super-nave do tamanho de um continente. Daí para a frente, Emmerich limita-se a desfiar desinspiradamente o (tele)novelo do filme catástrofe, sem recuperar o engenho de série B que Máquinas de Guerra ou Stargate ainda tinham. E como nem Liam Hemsworth nem Jessie Usher conseguem chegar aos calcanhares do ausente Will Smith, esta Nova Ameaça - mais uma “nova maçada” sem um terço da piada do original - arrasta-se penosamente apenas para ser esquecida assim que a projecção termina, apesar da porta escancarada para sequelas que deixa. Já que tinham de fazer uma sequela, podiam ter-se esforçado um bocadinho mais.

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