Universidade do Porto homenageia o arquitecto Fernando Távora

A passagem do 90º aniversário do nascimento do arquitecto da Escola do Porto vai ser assinalada até final do ano com encontros, exposições e o lançamento de publicações.

Fernando Távora é uma referência da arquitectura portuguesa da segunda metade do século XX DR

A Universidade do Porto (UP) vai homenagear Fernando Távora (1923-2005) com um conjunto de iniciativas ao longo de 2013, quando passam 90 anos sobre o seu nascimento.

O programa começa já esta quinta-feira, no salão nobre da instituição (Praça de Gomes Teixeira), às 21h30, numa sessão que inclui a leitura de textos deste arquitecto de referência da chamada Escola do Porto pelo encenador e cineasta Jorge Silva Melo. Será também exibido um filme e lançado o 1º fascículo da publicação Fernando Távora – Minha casa.

Na sexta-feira, dia 24, o pensamento e a acção de Távora serão tema de um Encontro de Investigadores, que abordarão, no edifício da reitoria da UP, a obra do responsável pelo restauro e adaptação a pousada do Convento de Santa Marinha da Costa, em Guimarães.

Ao longo dos próximos meses e até final do ano, a UP prossegue o calendário de homenagem numa parceria com a Fundação Instituto Marques da Silva (a actual depositária do espólio do arquitecto, doado pela família em 2008). Entre novos encontros e lançamento de livros, destaca-se a exposição-instalação do seu projecto de recuperação e adaptação do Museu Nacional Soares dos Reis (1988-2001), que em Novembro e Dezembro será apresentado neste museu.

Nascido em 25 de Agosto de 1923, no Porto, o arquitecto é uma das figuras fundadoras da Escola de Arquitectura do Porto – logo a seguir a Carlos Ramos. Diplomou-se em Arquitectura na Escola de Belas Artes do Porto (ESBAP). Foi ainda como aluno  que publicou, em 1947, o ensaio O problema da casa portuguesa, onde teorizou a inscrição do ideário moderno na tradição da cultura do país – uma relação que haveria de marcar toda a sua obra. Em meados da década de 1950, fez parte da equipa que realizou o Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa, um marcante levantamento da arquitectura nacional, promovido pelo Sindicato Nacional dos Arquitectos e seria publicado em 1961.

Neste ano, Távora era já assistente da ESBAP, onde ajudaria a actualizar o ensino, e o curso, de Arquitectura – estaria depois também ligado à autonomização e criação da Faculdade de Arquitectura da UP, onde foi docente até à sua aposentação, em 1993.

“Eu sou a arquitectura portuguesa” – é uma frase normalmente atribuída a Fernando Távora, que sintetiza tanto a sua actividade docente, mas também de projectista. De entre a sua obra, destacam-se o Mercado Municipal de Santa Maria da Feira (1953-59), o Pavilhão de Ténis da Quinta da Conceição, em Matosinhos (1956-60), a Casa de Férias no Pinhal de Ofir, Esposende  (1957-58), a ampliação das instalações da Assembleia da República (1994-99) ou a Casa dos 24, no Porto (1995-02). E, na área da conservação e reabilitação do património, para além do já referido Convento de Santa Marinha da Costa, todo o programa de reabilitação do Centro Histórico de Guimarães (1985-92), como a remodelação e expansão do Museu Nacional Soares dos Reis (1988-01) ou o restauro do Palácio do Freixo, também no Porto (1996-03).

A figura e a obra do arquitecto foram tema da exposição Fernando Távora: Da modernidade permanente, comissariada por Álvaro Siza, apresentada no final de Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura.

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