The Glockenwise trazem Leeches a Lisboa e a história começa agora, outra vez

The Glockenwise apresentam o segundo álbum, Leeches, esta noite na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. Têm a companhia d'Os Passos Em Volta.

Não nos deixemos enganar pelo ambiente bucólico, os The Glockenwise são banda de noite, de palco, de rock'n'roll Nuno Miranda (VICE)

Os The Glockenwise são das melhores coisas que Barcelos nos ofereceu nos últimos tempos e isso, no que ao rock’n’roll diz respeito, não é dizer pouco. A banda de Building Waves edita o segundo álbum, Leeches, no dia 20 de Maio e vem apresentá-lo na quinta-feira a Lisboa, na Galeria Zé dos Bois. Estarão em óptima companhia: antes deles, tocam Os Passos Em Volta. Os concertos começam às 22h (bilhetes a 6€).

Aparentemente, não há segredo nenhum nisto. É uma história conhecida. Miúdos entediados com a modorra dos dias encontram escapatória nos discos que lhes vão parar às mãos. Atrás de discos vêem discos e o mundo começa a parecer cada vez maior e, de repente, os miúdos estão a olhar para um palco e a pensar que aqueles lá em cima podiam ser eles. O segredo está no que acontece a seguir. Porque uma coisa é subir para cima de um palco, outra bem diferente é subir para cima de um palco e fazê-lo como se o mundo estivesse todo nas palavras que ali se gritam, na electricidade que se partilha com o público, no ritmo que põe as gentes a pensar sem pensar que aquilo, aquele momento, é o melhor que o mundo lhes pode oferecer.

The Glockenwise: quatro barcelenses, vinte e poucos anos e o rock’n’roll todo na ponta da língua. Building Waves, o primeiro álbum, foi a primeira revelação: a incontrolável energia do garage-rock, um entusiasmo contagiante, uma noção histórica aprimorada – e, por isso mesmo, consciente que o tal segredo está em fazer como se tudo estivesse a acontecer agora, já. Dois anos depois, reincidem.

Leeches é o título do segundo álbum. Os The Glockenwise são filhos da Barcelos dessa excitante vaga de rock’n’roll que nos ofereceu recentemente os Black Bombaim, os Aspen, os ALTO!. Os Glockenwise podiam ser de qualquer sítio em que haja gente a responder ao bem-vindo romantismo de pôr a vida num riff de guitarra, no balanço do baixo, no “splaaaash” dos pratos da bateria. Não, não há segredo nenhum nisto. Riffalhada blues em ebulição, desejo de dança sem regras (porque o “roll” é componente indispensável deste rock), o tremolo das guitarras a ecoar sobre a secção rítmica e a vozes a responderem ao som com urgência irreprimível. Não há segredo nenhum nisto? Pois, já conhecemos tudo isto há muito, nessa linha que liga Paul Revere & The Riders ou os Sonics, pioneiros da década de 1960, aos Black Lips ou aos Strange Boys, bandas totalmente do nosso tempo. Mas experimente-se ouvir Leeches (o primeiro single, Time to go, está aqui) experimente-se ver os Glockenwise ao vivo. É como se a história começasse agora. Esse é o segredo.

A antecedê-los em palco, na ZDB, estarão Os Passos Em Volta. São uma história diferente, mas representam o mesmo. Uma vontade de, sem programa e sem manifesto, se porem a si mesmos e ao seu tempo em canção. A banda lisboeta, nascida no seio da Cafetra, editora/colectivo das Pega Monstro ou da Kimo Ameba, editou o ano passado Até Morrer, magnífica colecção de canções que transfigura memórias de toda uma história de independência rock em canções que são totalmente reflexo dos seus criadores. Esse é o segredo d’Os Passos Em Volta: mandam às malvas a história para criar a sua própria história. A banda sonora que daí nasce, entusiasmante, tocante, descomplexada na linguagem certeira, exige que os ouçamos com atenção.

 
 
 
 
 
 
 

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