Mais de três horas de reunião do Conselho de Fundadores da Casa da Música não chegaram para um acordo sobre o orçamento do próximo ano: vai o Estado cortar dois ou três milhões de euros à fundação?
A dotação do Estado acordada em 2006 era de 10 milhões de euros. Até 2010, o Estado atribuiu os 10 milhões e, ao mesmo tempo, entre 500 mil euros (2010) e dois milhões (2007) referentes à integração da Orquestra Sinfónica. A partir de 2011, deixou de enviar qualquer verba. A Casa da Música aceita corte da verba estatal de dois milhões de euros, mas não de três pela orquestra. E, no ano passado, só enviou oito milhões e meio. Este ano, oito. Em Abril, ficara decidido que o corte de 20% se repetiria no próximo ano.
Na elaboração do Orçamento do Estado de 2013, o Governo anunciou a sua intenção de cortar 30% das verbas entregues às fundações. O anterior secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, terá aceitado cortar apenas 20% à Casa da Música, como aconteceu com o Centro Cultural de Belém. Ontem, porém, em sede de Conselho de Fundadores, o novo secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier, defendeu o corte de 30%.
O Conselho de Fundadores fechou-se numa sala da Casa da Música por volta das 17 horas. Em cima da mesa tinha o orçamento e a programação do próximo ano. “Todos sabemos as dificuldades que o país atravessa”, salientou, no final, já depois das 20 horas, o presidente do Conselho de Fundadores, Valente de Oliveira. O papel da Casa da Música fora reconhecido por Barreto Xavier, mas o impasse mantinha-se. “A discussão foi viva”. Como não houve acordo, ficou combinado “prosseguir as conversas” a partir de segunda-feira.
O administrador-delegado, Nuno Azevedo, assegurou que a programação já anunciada, que tem Itália por tema, não está em risco. “Tratando-se do Estado, tratando-se de uma pessoa de bem, todos lutaremos para que esta singularidade que é reconhecida à Casa da Música seja o argumento suficiente para garantir que o Estado mantenha connosco a sua palavra”, disse.
No orçamento geral da Casa da Música, que no ano passado foi de 15,4 milhões, entram também as receitas da bilheteira, os montantes provenientes do mecenato e outras verbas. Nuno Azevedo já apresentou medidas destinadas a enfrentar a redução de 20% do financiamento estatal. Falou, por exemplo, num novo modelo no qual cerca de 40% da programação corresponderá a espectáculos que se autofinanciem, a apresentar em paralelo à produção anual.

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