António José Seguro lamentou a morte de Igrejas Caeiro, lembrando o contributo cívico dado pelo militante socialista e a forma como se destacou na cultura. O presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) considerou se trata de uma “grande perda de um homem cuja carreira como comunicador começou em 1940”.
“Militante do PS, homem simples, de uma enorme elegância e de uma afabilidade envolvente, nunca deixou de dar o seu contributo cívico à vida do seu país, em particular, através do seu Partido Socialista”, lê-se numa nota divulgada pela assessoria de imprensa do PS.
Na nota, onde é tornado público o pesar do secretário-geral socialista, António José Seguro, pelo falecimento de Igrejas Caeiro é ainda sublinhada a forma como profissionalmente aquele militante do PS se destacou na cultura, como actor, encenador e locutor, que morreu neste domingo, em Lisboa, aos 94 anos.
“Igrejas Caeiro foi um cidadão comprometido com as causas públicas e com o bem-estar dos seus concidadãos”, é ainda referido na nota socialista. O lado político de Francisco Igrejas Caeiro também não foi esquecido pelo presidente da SPA, que recordou o “cidadão muito empenhado pela luta pela democracia”.
José Jorge Letria considera a morte de Igrejas Caeiro uma “grande perda de um homem cuja carreira como comunicador começou em 1940”. A notícia foi recebida “sem grande surpresa” dada a “idade avançada e o estado de saúde já debilitado” de Igrejas Caeiro devido à doença de Alzheimer, acrescentou.
“De qualquer maneira, naturalmente, que nos chegou a nós, autores e amigos dele, porque manteve uma vitalidade e um interesse pela vida e pela vida da SPA praticamente até há poucos meses”, disse à Lusa.
A memória que José Jorge Letria guarda de Igrejas Caeiro é a de um “homem sempre atento, solidário e com uma acção muito activa”. “Uma vida que se expandiu pelo teatro, pelo cinema, pela televisão, pela música: foi um homem que levou ao palco muita gente em todo o país”, disse.
“Referência da comunicação em Portugal”
Nas notas oficiais de pesar, o Presidente da República lembrou Igrejas Caeiro como “um exemplo de dedicação às artes e à causa pública” que todos recordarão com admiração. O secretário de Estado da Cultura diz que “desapareceu um dos nomes de referência da comunicação em Portugal”.
“Neste momento de luto, especialmente para a sua família e amigos, presto a minha homenagem ao homem de cultura e ao cidadão empenhado que foi Igrejas Caeiro”, lê-se numa mensagem de condolências enviada por Cavaco Silva à família de Igrejas Caeiro, divulgada no ‘site’ da Presidência da República.
Na missiva, o chefe de Estado lembra ainda Igrejas Caeiro como uma “personalidade que marcou a vida cultura e cívica” portuguesa no último meio século. “Pelo seu trabalho no teatro, no cinema e, sobretudo, na rádio, assim como no Parlamento, após a instauração da Democracia, Igrejas Caeiro representa um exemplo de dedicação às artes e à causa pública, que se impôs ao longo de sucessivas gerações e que todos nós recordaremos com admiração”, acrescenta o Presidente da República.
O secretário de Estado da Cultura recebeu “com profundo pesar” a notícia da morte de Igrejas Caeiro. Nas palavras de Francisco José Viegas, “desapareceu um dos nomes de referência da comunicação em Portugal, e todos recordaremos a sua belíssima voz, a sua dicção, a sua presença e a sua simpatia e generosidade”.
“Sempre fiel às suas qualidades políticas e humanas, Igrejas Caeiro usou a voz de forma corajosa, transformando-se num marco na história da rádio portuguesa, mas também num exemplo de participação, mantendo uma presença muito ativa na sociedade portuguesa até ao final da vida”, referiu.
“As suas qualidades humanas e a sua merecida popularidade tornaram-no um companheiro fiel – na alegria e na tristeza – dos ouvintes da rádio em Portugal”, concluiu Francisco José Viegas.
Notícia actualizada às 16h33

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