A personagem de James Bond, criada pelo escritor britânico Ian Fleming – "Casino Royale", o primeiro livro em que entra o agente secreto com licença para matar, é de 1953 – vai ser celebrada na próxima gala de entrega dos Óscares, marcada para o dia 24 de Fevereiro no Dolby Theater de Hollywood, em Los Angeles.
As homenagens de carreira dos Óscares costumam destinar-se a realizadores, actores ou produtores, e não a personagens. Mas Bond não é uma personagem qualquer. Com a sua mais recente aparição em Skyfall (2012), do realizador britânico de origem portuguesa Sam Mendes, o sedutor agente secreto de Sua Majestade contabiliza nada menos do que 23 filmes em 50 anos, contados desde 007 – O Agente Secreto (Dr. No).
“Estamos muito satisfeitos pelo facto de a cerimónia ir incluir uma sequência especial de homenagem aos filmes de James Bond”, afirmaram os produtores da gala, Craig Zadan and Neil Meron, citados pela AFP, sublinhando que o herói imaginado por Ian Fleming é um caso único de longevidade na indústria do cinema.
Ainda não se conhecem as nomeações para os Óscares – deverão ser divulgadas no dia 10 de Janeiro –, mas é possível que Skyfall só receba mesmo esta homenagem indirecta. Admite-se na imprensa que possa vir a ser nomeado para o Óscar da melhor canção original – pelo tema Skyfall, da cantora e compositora inglesa Adele –, mas a verdade é que há 30 anos, desde 007 – Missão Ultra-Secreta (For Your Eyes Only, 1981), que nenhum filme da série recebe qualquer nomeação.
Ao longo de 50 anos, 23 filmes e vários actores – de Sean Connery a Daniel Craig, que volta a encarnar o agente secreto em Skyfall –, James Bond recebeu sete nomeações e conquistou apenas dois Óscares, ambos nos anos sessenta e em categorias técnicas: o de melhor efeitos sonoros, atribuído a 007 Contra Goldfinger (Goldfinger, 1964), e o de melhores efeitos especiais visuais, com 007 – Operação Relâmpago (Thunderball, 1965).
Ainda assim, o facto de Skyfall integrar a lista dos dez filmes nomeados para os prémios da Guilda dos Produtores dos EUA – atribuídos a 26 de Janeiro e vistos como um indicador das tendências que os Óscares poderão seguir – pode ser um sinal de que o filme de Sam Mendes acabe por receber alguma das ambicionadas estatuetas.

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