O Algodão de Pacman tem muita paixão

Os Da Weasel já lá vão. Neste sábado há canções sobre paixões, com mulheres, familiares ou amigos, no MusicBox, em Lisboa, pelo projecto Algodão de Pacman. "Nunca me senti tão bem", diz ele.

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Há poucos anos pisava os palcos das salas mais imponentes do país, cantando e gesticulando para milhares de pessoas, com um dos grupos de maior sucesso de sempre da cultura pop portuguesa, os Da Weasel, mas hoje Carlos Nobre, mais conhecido por Pacman, passa pela multidão mais discreto envolto em Algodão.

E então? “Então, feliz da vida” diz-nos ele, rindo-se. “A maior parte da minha vida de adulto foi com os Da Weasel e aquilo que conseguimos fazer – goste-se ou não – foi notável.” E continua: “quando acabámos tínhamos feito pouco tempo antes o Pavilhão Atlântico e recebido uma série de discos de platina e tocado pelo país, de Norte a Sul. Fizemos tudo. Acabámos na altura certa.”

Foi no final de 2010 que os Da Weasel formalizaram o fim. Hoje Pacman quer é actuar em salas de pequena e média dimensão para expor ao vivo o seu projecto Algodão. É isso que acontecerá neste sábado, pelas 24h, no MusicBox, em Lisboa, onde apresentará o álbum A Gramática Da Paixão Dramática. “Quando me interrogam actualmente sobre o facto de tocar em salas para meia centena de pessoas, respondo que é isso precisamente que me motiva, porque já estive do outro lado e percebi que não é tudo. Sinto-me muito bem onde estou.” 

Em palco, ao seu lado, vão estar Nelson Guerreiro na guitarra e nos coros e Gil Pulido nos teclados e coros. A palavra, dita ou cantada, é o centro da acção, e essa é a sua responsabilidade. Já era assim no álbum de apresentação do projecto, Uma Falaciosa Noção de Intimidade (2011), embora o novo disco seja mais aberto, em termos sonoros e líricos. No anterior recorria essencialmente às palavras ditas sobre fundo electrónico, versando relações amorosas difíceis. Agora existe um desenho sonoro mais diversificado, com variações acústicas e melodias cruzadas com electrónicas, maior amplitude lírica e até colaborações vocais, como acontece com Margarida Pinto (Coldfinger) em Agridoce e da soprano Catarina Molder em A felicidade é, assim, Alice.

“Na sua génese este era um disco com componente electrónica, mas depois os temas acabaram por levar um tratamento mais acústico”, explica Pacman, fazendo notar que há paralelismos e pontos de diferenciação entre os dois discos. Um deles tem a ver com a temática. “O primeiro andava muito à volta de mulheres” reflecte. O novo álbum sem perder esse ângulo acaba por ser mais diverso, reflectindo relações amorosas, mas também familiares e amizades reconstruídas. “Existe qualquer coisa nas letras que fui buscar à adolescência, a essa forma que temos de nos apaixonar com muita facilidade” diz ele, “quando o amor e ódio acabam por se cruzar.” 

Não se espere uma mera transposição da sonoridade do disco para palco. Pacman não gosta de concertos em que a surpresa está completamente ausente. “Os arranjos são diferentes e há alguns temas que no disco não têm guitarras e ao vivo acabam por ter” explica, enunciando que gosta de trabalhar a partir da identidade das canções, mas sem ficar circunscrito à mera reprodução.

Com os Da Weasel – ou com o outro grupo a que empresta a voz, Os Dias de Raiva – tinha uma presença cénica intensa e enérgica. Agora está mais desprotegido em palco. E a sua atitude é também diversa. “Tenho várias facetas” começa por dizer, antes de referir que “actuar com os Dias de Raiva é muito libertador, enquanto com o Algodão é qualquer coisa de mais intimista e pausado.”

Mas quando se trata de escolher qual o projecto mais importante do momento não tem dúvidas. “Algodão é onde pus mais de mim até hoje, é natural que me sinta mais à vontade ali. É o meu bebé.” 

 

 

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