O Museu Colecção Berardo, em Lisboa, vai passar a encerrar ao público, às segundas-feiras, para reduzir custos, revelou esta quinta-feira à agência Lusa o presidente do Conselho de Administração da Fundação, que gere a entidade.
Contactado pela agência Lusa sobre o resultado de uma reunião realizada este mês pelo Conselho de Administração (CA) da Fundação Colecção Berardo, o coleccionador Joe Berardo indicou que esta “era uma das propostas em cima da mesa para reduzir custos” de funcionamento do museu.
O encerramento do Museu Berardo às segundas-feiras vai começar a 6 de Maio, uma data que marcará o fim da filosofia de abertura permanente ao público desde a inauguração, a 25 de Junho de 2007.
Nestes quase seis anos de funcionamento, o Museu Berardo, instalado no Centro Cultural de Belém (CCB), apenas encerrava totalmente a 25 de Dezembro, dia de Natal.
“Tenho pena de encerrar o museu porque, à segunda-feira, tínhamos muitos turistas. Ao longo destes anos achámos que era importante manter o museu sempre aberto. Mas temos que ser realistas, porque há uma situação de crise e é preciso poupar”, comentou Joe Berardo.
Questionado sobre a poupança que irá representar o encerramento do museu às segundas-feiras, o coleccionador disse que ronda os 65 mil euros, e há uma estimativa da perda de oito por cento dos visitantes anuais.
“Se conseguirmos um ‘sponsor’ [mecenas] para pagar esse valor, então poderemos reconsiderar e voltar a abrir o museu às segundas-feiras”, acrescentou.
A decisão de encerrar um dia por semana obteve a unanimidade dos representantes do coleccionador e do Estado no CA, indicou.
A maioria dos museus públicos encerra à segunda-feira.
Encerram também à segunda-feira, em Lisboa, os museus da Fundação Calouste Gulbenkian, (e nos feriados de 25 de Dezembro, 1 de janeiro, domingo de Páscoa e 01 de Maio), o Museu da Electricidade, o Museu da Cidade e, no Porto, o Museu da Fundação de Serralves.
O Museu Arpad Szenes Vieira da Silva, que encerrava às terças-feiras, passou, desde Novembro do ano passado, a encerrar mais um dia, à segunda-feira, também para reduzir custos.
Contactada então pela agência Lusa, a directora do museu, Marina Bairrão
Sobre o encerramento do Museu Berardo à segunda-feira, fonte oficial da tutela, contactada pela Lusa, respondeu que o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, “entende que as normas de funcionamento do Museu Berardo se devem aproximar, no que diz respeito a horários e bilheteiras, aos museus tutelados pelo gabinete” da secretaria de Estado da Cultura.
O conselho de fundadores do Museu Berardo também decidiu recentemente que as exposições temporárias, sem apoio mecenático, vão passar a ter entradas pagas a partir deste ano, medida tomada para reduzir custos na instituição, cujas entradas eram gratuitas desde a abertura.
Em 2006, num acordo assinado para dez anos - entre o Estado, através do então Ministério da Cultura, e Joe Berardo - determinou a criação do museu com uma colecção de 862 obras de arte moderna e contemporânea, avaliadas, na altura, em 316 milhões de euros pela leiloeira internacional Christie’s.
Entre Dezembro de 2012 e Março deste ano, cerca de uma centena de obras da Coleção Berardo - parte da colecção do museu e parte da colecção pessoal do empresário madeirense - estiveram em exposição em Miami, nos Estados Unidos.
Intitulada “Master Pieces from the Berardo Collection”, a exposição esteve na galeria Gary Nader Fine Art, e recebeu 120 mil visitantes, segundo dados da organização.
Questionado sobre se as peças já regressam a Portugal, Joe Berardo indicou que “estão todas em Lisboa” e vão ser exibidas no museu, numa exposição que deverá ser inaugurada a 17 de Maio.
De acordo com dados do Museu Berardo, cerca de 3,6 milhões de visitantes passaram pelas exposições de 2007 ao final de 2012.

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