Mercado mundial da arte contemporânea cai 6%

A líder incontestada nas vendas em leilão é a China, com 38,8% Reuters

O mercado da arte contemporânea tem resistido bem à crise económica e a queda de 6% que se verificou entre Julho de 2011 e Junho de 2012 “não é preocupante”. Estas são duas das principais conclusões do relatório da Artprice, que a Agência France Press (AFP) acaba de divulgar.

O director desta empresa francesa que apresenta todos os anos um estudo com base nas vendas em leilão dos artistas nascidos no pós-Segunda Guerra, Thierry Ehrmann, garante, no entanto, que o mercado está bem e recomenda-se. Se é verdade que registou uma quebra de 55 milhões de euros em relação ao período homólogo anterior (Julho de 2010/Junho de 2011), também é verdade que, no meio de uma crise económica de grande amplitude, foi capaz de apresentar a sua terceira melhor performance de sempre, depois do pico de 2007/2008 (977 milhões de euros) e da boa prestação do ano passado (915 milhões).

No que toca aos artistas nascidos depois de 1945 é a Ásia o continente responsável pela maior fatia das receitas em leilão, com 43% do mercado, contra os cerca de 30% europeus. Por países, a líder incontestada é a China, com 38,8%, número que traduz uma subida de 5,8% em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos (26,1%) e o Reino Unido (22,6%) voltam a ocupar a segunda e terceira posições, ainda assim bem distantes do quarto classificado, a França, com uns tímidos 2,5%.

Só na Ásia, detentora do cenário mais “opulento”, sublinha o director da Artprice, foram vendidas 662 obras de arte contemporânea por mais de 100 mil euros cada. Os EUA ficaram-se pelas 382 e a Europa pelas 324.

Para os que se perguntam por que razão, no meio daquela que parece a mãe de todas as crises, os resultados não são este ano catastróficos – 860 milhões de euros no total – Ehrmann explica: o forte crescimento do número de museus, centros e fundações de arte um pouco por todo o mundo, a exigir mais e mais obras para as suas colecções, evitou a queda.

Com as suas obras vendidas em leilões públicos a atingir um total de 79,9 milhões de euros, o norte-americano Jean-Michel Basquiat (1960-1988) ocupa o primeiro lugar no ranking dos artistas contemporâneos, seguido do chinês Zeng Fanzhi (1964), cujas obras renderam 33,2 milhões, e do também americano Christopher Wool (1955), com 22,2. O britânico Damien Hirst, que é sempre apontado como um dos gigantes do mercado, vem em quarto, mas os seus 21,4 milhões ficam bem longe de Basquiat.

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