Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura são os autores do pavilhão onde o laboratório de inovação Estratégia Urbana vai centralizar, na cidade brasileira de São Paulo, na próxima Primavera, uma vasta acção de divulgação da arquitectura portuguesa.
O edifício de arquitectura efémera foi esta noite apresentado pelos dois arquitectos na sede daquele laboratório, em Matosinhos, numa sessão que serviu também para a divulgação das duas outras vertentes desta iniciativa, genericamente designada Arquitectura Portuguesa – Discrição é a nova visibilidade: uma exposição com cem projectos realizados nas duas últimas décadas, a instalar no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura, uma obra de Paulo Mendes da Rocha), e um ciclo de debates e conferências sobre seis cidades portuguesas e brasileiras e as experiências arquitectónicas em ambos os países.
“Contribuir para a internacionalização da arquitectura portuguesa no mercado brasileiro”, mas associar a esta disciplina e profissão outras que lhe são afins, como a engenharia, e também as actividades ligadas à construção civil, é o objectivo deste projecto, assim apresentado pelo seu comissário geral, Nuno Sampaio, arquitecto e presidente da Estratégia Urbana.
Antes de procederem à apresentação dos desenhos e da maqueta do pavilhão, que irá ser instalado no Parque Ibirapuera, no centro de São Paulo, Siza e Souto de Moura lembraram uma sua anterior experiência de trabalho comum na Serpentine Gallery, em Londres (2005). “Quando viram o pavilhão, algumas pessoas disseram que ele não se parecia com nenhuma das minhas obras, nem com nenhuma do Eduardo”, lembrou Álvaro Siza. “Ora o interesse de trabalhar em conjunto é precisamente que o resultado não se pareça com cada um de nós”, acrescentou o arquitecto do Museu de Serralves, depois de Souto de Moura ter remetido para o seu mestre a responsabilidade maior pelo desenho do novo pavilhão.
Este apresenta uma estrutura muito simples: uma planta de 450 metros quadrados, com paredes ortogonais e um pátio interior arborizado, que contém um espaço de exposições, um pequeno auditório para 50 pessoas e um bar. “O meu primeiro esquisso era o de uma construção muito orgânica, seguindo a sedução da ideia do Brasil e da arquitectura do Niemeyer”, confessou Siza, admitindo que foi a intervenção de Souto de Moura que depois conduziu a esta estrutura mais simples e eficaz.
O pavilhão vai ser construído num material de pladur de exteriores (aquapainel) e tem o custo previsto de 250 mil euros – o orçamento global da acção da Estratégia Urbana é de 850 mil euros, “exclusivamente com o apoio de empresas”, como a Mota Engil, e outros patrocínios privados ainda a explorar, explicou Nuno Sampaio.
Com inauguração agendada para o dia 19 de Março, o pavilhão vai acolher um ciclo de acções designado Polissemias, que inclui uma conferência com a participação dos dois Pritzkers portugueses e o brasileiro Paulo Mendes da Rocha (autor do projecto do Museu dos Coches, actualmente em construção em Lisboa), além do engenheiro Rui Furtado.
Seguir-se-á depois um ciclo de colóquios e debates em que três arquitectos portugueses e outros tantos brasileiros reflectirão sobre as arquitecturas de seis cidades de ambos os países: Fernando Mello e Franco sobre São Paulo, Gabriel Duarte sobre o Rio de Janeiro, Carlos Eduardo Comas sobre Porto Alegre; Inês Lobo sobre Lisboa, Nuno Grande sobre o Porto e Pedro Bandeira sobre Guimarães.
Além desta agenda, o pavilhão da Estratégia Urbana estará aberto a outras acções que venham a ser propostas por arquitectos e outros profissionais e empresas do sector. Nuno Sampaio pôs, de resto, a tónica no “carácter inclusivo desta iniciativa”, e na necessidade de envolver todos os sectores para esta aposta na internacionalização da arquitectura portuguesa, que vê como “a única saída para a crise” que actualmente se vive.
Para a exposição a apresentar, a partir do dia 21 de Março, no MuBE, a Estratégia Urbana abriu, até ao dia 2 de Novembro, um concurso para todos interessados em propor os seus projectos e obras. Estes serão avaliados pelo secretariado da iniciativa – constituído pelos arquitectos Luís Tavares Pereira e Miguel Judas, além de Nuno Sampaio –, que fará a selecção dos cem projectos a levar a São Paulo.

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