A edição deste ano - a 36ª - do festival só acontece graças a fundos brasileiros. A direcção do FITEI recordou isso na terça-feira, em comunicado, classificando a edição de 2013 como “um festival de resistência”, que se realiza com o apoio da Funarte - Fundação Nacional de Artes do Governo Brasileiro em parceria com o Teatro Nacional São João, o Teatro Helena Sá e Costa, o Serralves em Festa, o Instituto Francês e a Porto Lazer.
Mário Moutinho, o director do festival, confessou mesmo à Lusa “que chegou a ponderar-se se isto deveria ser apresentado como um festival ou como uma mostra de teatro brasileiro”, já que das 14 companhias que compõem o programa, que decorre entre 29 de Maio e 10 de Junho, onze são brasileiras.
Este ano, o festival não recebeu qualquer subsídio da Secretaria de Estado da Cultura e o apoio financeiro do Funarte é concedido no âmbito do Ano do Brasil em Portugal, que, de resto, encerra no último dia do FITEI.
A peça a ser apresentada esta quarta-feira à noite é Namíbia, Não!, de Aldri Anunciação, a primeira encenação de Lázaro Ramos, principalmente conhecido como actor (foi protagonista de filmes como Madame Satã ou Carandiru e desempenhou papéis em diversas telenovelas e numerosas peças de teatro). A peça é repetida na quinta-feira, à mesma hora.
Lazuli Cultura, Sutil Companhia de Teatro, Ágora, Razões Inversas, Grupo XIX de Teatro são algumas das outras companhias brasileiras presentes. Os espectáculos abordam temas que vão desde o racismo à desigualdade social, à reflexão sobre artistas como Elizabeth Bishop, sendo também de registar a presença de várias companhias de dança.
A conhecida cantora Maria Bethânia vai dar dois espectáculos (7 e 8 de Junho) em que intercala textos e canções da tradição portuguesa e brasileira, pouco habituais no seu reportório.
Destaque ainda para Orfeu Mestiço - Uma Hip-hópera Brasileira, de Claudia Schapira, que aqui apresenta uma versão “tropical” do mito grego de Orfeu e Eurídice.
As únicas excepções ao universo dramático brasileiro é uma proposta do Teatro Helena Sá e Costa em torno das danças latino-americanas, com a Allantantou Danse Company e a Cubania Dance Company, e uma performance para o Serralves em Festa pela companhia francesa Cie. Jo Bithume.

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