A biografia Fernando Pessoa: Uma Quase Autobiografia, do brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho, que está publicada em Portugal pela Porto Editora, venceu na categoria de biografia a 54ª edição do Prémio Jabuti, um dos mais importantes da literatura brasileira, foi anunciado no Brasil ontem à noite. O livro já tinha sido considerado pela Academia Brasileira de Letras como “livro do ano”.
Em segundo lugar nesta categoria do Prémio Jabuti ficou a biografia Cláudio Manoel da Costa
de Laura de Mello e Souza e em terceiro, Antonio Vieira, de Ronaldo Vainfas.
Mas mais uma vez houve controvérsia na atribuição deste prémio, cujas regras foram recentemente alteradas depois de 52ª edição, ter sido atribuído o prémio de Livro do Ano de Ficção a Leite Derramado, de Chico Buarque, que tinha ficado em segundo lugar na categoria de melhor romance, onde o vencedor foi Se eu fechar os olhos agora, primeira obra do jornalista da Globo, Edney Silvestre.
Desta vez a controvérsia aconteceu durante a votação do júri. O romance Nihonjin, uma primeira obra de Oscar Nakasato sobre a imigração japonesa para o Brasil, venceu o Jabuti para melhor romance. Em segundo lugar ficou Naqueles Morros, Depois da Chuva, de Edival Lourenço e em terceiro, O Estranho no Corredor, de Chico Lopes.
Tal como relatam os jornais O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo o último dos três jurados a votar, votou em autores em início de carreira ou com primeiras obras em vez de votar nos nomes consagrados em que os seus colegas de júri tinham votado. A escritora Ana Maria Machado, presidente da Academia Brasileira de Letras, que concorria pelo livro Infâmia e já recebeu o Prémio Jabuti de Literatura em 1978, teria vencido também esta edição se fosse apenas considerada a pontuação dos dois outros membros do júri. O curador do prémio disse à Folha de S. Paulo que “não ficou satisfeito com os resultados”, que “preferia que as notas fossem mais equilibradas mas afirmou também que “os jurados têm total liberdade, votam como querem: o resultado é inquestionável, não será anulado”. A identidade dos membros do júri será conhecida a 28 de Novembro na cerimónia de entrega dos prémios.
Na categoria de contos e crónicas o vencedor foi O Destino das Metáforas, de Sidney Rocha. Em segundo lugar ficou O Anão e a Ninfeta, do Prémio Camões 2012, Dalton Trevisan, e em terceiro O Livro de Praga, de Sérgio Sant'Anna.
Alumbramentos, de Maria Lúcia Dal Farra recebeu o primeiro prémio de Poesia, Vesúvio, de Zulmira Ribeiro Tavares o segundo e Roça Barroca, de Josely Vianna Baptista, o terceiro.
Na categoria de reportagem ficou em primeiro lugar Saga Brasileira: A Longa Luta de um Povo por sua Moeda, de Miriam Leitão; em segundo, O Cofre do Dr. Rui, de Tom Cardoso e em terceiro, O Espetáculo Mais Triste da Terra de Mauro Ventura que conta a história do incêndio do Gran Circo Norte-Americano, que aconteceu em 1961, em Niterói. Na categoria de Turismo e Hotelaria em terceiro lugar ficou Lisboa em Pessoa - Guia Turístico e Literário da Capital Portuguesa, de João Correia Filho, editado pela Leya Brasil.
O Prémio Jabuti tem 28 categorias e os vencedores em cada uma que recebem 3500 reais (cerca de €1300), concorrem agora ao prémio de Melhor Livro do Ano no valor de 30 mil reais (cerca de €11.300).

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