As famílias portuguesas, em média, gastaram 5,3% do total das suas despesas em bens e serviços culturais o ano passado. Segundo os dados revelados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), 1 073 euros foram utilizados em actividades ligadas ao lazer, à distracção e à cultura num orçamento médio de 20 391 euros por agregado familiar. Quem mais investiu em actividades culturais foram mulheres, com idades entre os 30 e 44 anos, segundo os dados do INE que se baseou no Inquérito às Despesas das Famílias 2010/2011.
Os serviços desportivos e recreativos e serviços de distracção e cultura foram aqueles em que as famílias mais gastaram (334 euros), a compra de livros, jornais e outros impressos (309 euros) aparece em segundo lugar. Em terceiro, os artigos e equipamentos recreativos, de lazer e de distracção (209 euros); em quarto os gastos com equipamentos e acessórios audiovisuais, fotográficos e informáticos (111) e por fim, em viagens turísticas (105).
Relativamente à evolução dos preços no consumidor, os dados agora divulgados mostram que em 2011 os bens e serviços culturais aumentaram um por cento em relação a 2010, mas nos jornais, livros e artigos de papelaria registaram-se aumentos superiores de preços: 2,8% e 1,8%, respectivamente. Nos museus, monumentos históricos e outros serviços culturais o aumento foi de 3,1%, e no cinema, teatro, concertos de 2,8%.
A subida de preços poderá ser um dos factores para que o número de visitantes nos museus tenha sido menor que no ano anterior: receberam 13,5 milhões de visitantes em 2011, menos cerca de 300 mil do que no ano anterior, e o INE considerou para fins estatísticos 397 museus, jardins zoológicos, botânicos e aquários, com 21,7 milhões de bens no seu acervo.
Também no cinema houve um decréscimo de espectadores e de receitas de bilheteira, segundo o INE baseando-se em dados do ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual) . Em 2011, foram exibidos 790 filmes (dos quais 277 em estreia) em 670. 677 sessões de cinema correspondendo a um total de 15,7 milhões de espectadores e de 79,9 milhões de euros de receitas de bilheteira. “Face ao ano anterior, realizaram-se mais 362 sessões mas verificaram-se decréscimos de 5,2% nos espectadores e de 2,9% nas receitas de bilheteira”, refere o relatório.
Do total dos filmes exibidos, 27,2% eram de origem norte-americana (representaram 69% de espectadores e das receitas de bilheteira). Foram ainda exibidos 237 filmes europeus (3% do total de espectadores e das receitas de bilheteira) e 85 filmes portugueses (0,5% de espectadores e 0,4% das receitas de bilheteira). Em 2011, os três filmes mais vistos foram Harry Porter e os Talismãs da Morte: parte 2, Piratas das Caraíbas: por Estranhas Marés e Smurfs.
O ano passado houve 25. 871 sessões de espectáculos ao vivo, um total de 8,5 milhões de espectadores dos quais 3,4 milhões pagaram bilhete (receitas no valor de 55,7 milhões de euros). Os espectáculos de teatro foram os que tiveram um maior número de sessões (47,1% do total), mas foram os concertos que registaram maior número de espectadores (4,1 milhões) e de receitas de bilheteira (37,5 milhões de euros).
Ainda segundo o INE, o número de visitantes dos espaços de exposições temporárias ultrapassou 8,8 milhões, significando, em média, 1 210 visitantes por exposição. Em 2011, realizaram-se 7 304 exposições, das quais 58,5% foram individuais, a maior parte das quais na região Norte (35,5%), seguida das regiões de Lisboa (26,5%) e do Centro (22%).
Por fim, os livros, as obras de arte e antiguidades foram os bens culturais mais exportados em 2011, ascendendo a um valor global de 64,7 milhões de euros. De acordo com os dados do Comércio Internacional sobre os quais o INE se baseou, os “livros, brochuras e impressos semelhantes” foram os bens com maior valor das saídas do país, ascendendo a 44,1 milhões de euros. Os principais países de destino continuaram a ser os Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP), com 55,3%, a União Europeia, com 30,4%, e o Brasil, com 8,6% - em conjunto concentraram 94,4% das exportações. Os “objectos de arte, de colecção ou antiguidades” registaram exportações no valor de 9,4 milhões de euros, indica ainda o INE.

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