Nasceram entre 1975 e 1987 e espelham um país mais descentralizado do que foi em tempos norma, vindos de escolas em Lisboa e no Porto, mas também em cidades como Tomar. Os nove finalistas à décima edição do prémio EDP Novos Artistas, seleccionados entre 567 candidatos, foram anunciados esta segunda-feira.
Sandro Miguel Ferreira (n. Tomar, 1975) é o mais velho dos candidatos. Licenciou-se em Artes Plásticas - Pintura e Intermédia pelo Instituto Politécnico de Tomar, onde vive. Segundo o conjunto de notas biográficas divulgadas pela organização do prémio, a Fundação EDP, trabalha em diversos suportes, evocando normalmente a memória da Guerra Colonial e o universo dos colonatos africanos.
Já João Ferro Martins (n. Santarém, 1979), que vive e trabalha em Lisboa, é licenciado em Artes Plásticas pela Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha. “Constrói obras de presença tridimensional que exploram valores musicais contemporâneos e desenvolve simultaneamente temas onde aborda a condição do homem performativo e do objecto escultórico e sonoro”, lê-se na sua biografia.
Musa Paradisíaca é um projecto de Eduardo Guerra (n. Lisboa, 1986) e Miguel Ferrão (n. Lisboa, 1986). Foi criado em 2010 por estes ex-alunos da licenciatura em Pintura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, ambos mestres em Filosofia-Estética pela Universidade Nova de Lisboa, que vivem e trabalham em Lisboa e têm vindo a usar diversos media para desenvolver “projectos de carácter discursivo e participativo”.
Mariana Caló (n.Viana do Castelo, 1984) e Francisco Queimadela (n. Coimbra, 1985), que vivem no Porto, trabalham também em dupla e também desde 2010. Iniciaram a sua colaboração enquanto estudantes de Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Desde então, têm vindo a utilizar o filme, o vídeo, o som, o desenho e texto em projectos que “procuram explorar situações, objectos e sítios que contribuam para a constituição de concepções temporais específicas sobre a experiência viva do tempo”.
É a ontologia da imagem que interessa a Pedro Henriques (n. Porto, 1985), licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, cidade onde vive e trabalha. Em fotografia, vídeo ou na instalação, apresenta “imagens misteriosas e enigmáticas, com jogos de luz e sombra, fragmentações, reconstituições e sobreposições”.
Tiago Baptista (n. Leiria, 1986), que se licenciou em Artes Plásticas na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha, usa a pintura e o desenho como suportes principais de trabalhos que se têm vindo a focar em “questões relacionadas com a experiência humana da vida em comum, cenas de índole social e colectiva, histórica e derrisória em paisagens urbanas ou rurais”.
A única, de entre os candidatos, formada em escultura, Ana Santos (n. Espinho, 1982), que vive e trabalha em Lisboa, estudou na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e é mestre em Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias pela Universidade Nova de Lisboa, tendo feito também o Projecto Individual do Ar.Co, Centro de Arte e Comunicação Visual, e o curso de Artes Visuais do programa Criatividade e Criação Artística da Fundação Calouste Gulbenkian. Em escultura, mas também desenho, pintura e instalação, o seu trabalho tem explorado “a produção de objectos e a sua articulação com o espaço expositivo”.
João Mouro (n. Faro, 1985), que vive e trabalha em Lisboa, licenciou-se em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Tem apresentado trabalhos no campo da escultura e da instalação, construindo instrumentos musicais, peças de mobiliário e espaços arquitectónicos, normalmente com madeiras e metais reutilizados. “Os seus trabalhos reflectem sobre objectos do quotidiano, desviando-os do seu propósito original e dotando-os de um novo significado.”
O mais jovem dos candidatos, Luís Lázaro Matos (n. Évora, 1987) estudou Pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa mas também Art Practice (Prática Artística) no Goldsmiths College, em Londres. Vive e trabalha em Londres e Lisboa. “O seu trabalho centra-se no desenho e na pesquisa da diluição da fronteira entre as artes plásticas e outras disciplinas como a arquitectura, o design de mobiliário e de moda, criando objectos de difícil categorização carregados de humor, ironia e crítica social e política.”
A escolha de finalistas, a partir da análise de portfólios, coube este ano a um júri constituído pelos curadores independentes Filipa Oliveira e Sérgio Mah com João Pinharanda, programador da Fundação EDP, organizadora deste prémio bienal. Apresentarão os seus trabalhos em Dezembro, numa exposição na Galeria da Fundação EDP, no Porto. O júri de premiação não está ainda apontado, mas, segundo as regras do concurso, como noutras edições, o valor do prémio – 15 mil euros – deverá ser aplicado no prosseguimento de estudos ou na concretização de um projecto artístico.

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